Por aí — Fukuoka
25 de maio — Já tarde, por volta das 21h, cheguei em Fukuoka, na estação Hakata. Exausta após um dia de exploração, queria um banho e descanso. Para minha sorte, a acomodação era bem próxima da estação e poucos minutos de caminhada me levaram até lá. Comparada a outras habitações no Japão, o preço desta última foi muito mais barata que o habitual. E foi uma ótima escolha: hospedei-em num apartamento completo e espaçoso, com uma cama confortável. Possuía até mesmo uma máquina de lavar e pude me livrar das roupas sujas antes de embarcar para meu próximo destino na manhã seguinte.
Quando achei que tudo estava tranquilo, enganei-me: descobri, da pior forma possível, que não conseguia operar o chuveiro. Isso mesmo. Vergonha de mim mesma. Munido de um painel eletrônico, o chuveiro desligava após poucos segundos de uso! Um alto falante me dava alguma mensagem de erro (??) e finalizava o processo (no caso, a água). Não consegui pensar em nada a não ser na famosa conta do Twitter, @InternetOfShit. Usabilidade zero para o chuveiro. Não me restou alternativa a não ser me vestir e pedir ajuda para o zelador do prédio. Perguntei-lhe “como operar o chuveiro” e após rir da situação, ele me explicou como funcionava. Mas o processo foi um pouco complicado até mesmo para ele. Usabilidade ruim destruindo tarefas simples.
Secar as roupas que lavara também foi desafiador — não havia secadora. O banheiro funcionava como câmara de secagem (algo que também nunca tinha visto), de modo que tive que distribuir as peças no local, fechar a porta e esperar até a manhã seguinte. Logo cedo, as roupas estavam um pouco úmidas, mas quase secas. Infelizmente não havia tempo e parti para o aeroporto. Convenientemente, o metrô em Hakata (que também consegui pagar com meu Suica Card) me levou direto até o aeroporto, e de lá peguei um shuttle até o terminal correto.
Como mencionei há alguns posts, já sabia que teria que encurtar minha estadia no Japão. No início do mês, soubera de uma conferência sobre AI em Geneva, onde alguns integrantes, inclusive da ONU, discutiriam questões éticas sobre o assunto. O evento se realizaria entre 7 e 9 de junho, o que significava que precisava arranjar passagens para Geneva. Consegui, com a ajuda do meu parceiro de viagem, descolar um vôo, mas isso implicaria em mudança de planos perante à minha estadia no Japão e da minha viagem como um todo. Como estava encurtando e não prolongando quanto tempo permaneceria no país, achei que isso não seria um problema, mas… foi.
Na hora de despachar as malas pela FinnAir, ficamos quase uma hora por lá. Nos perguntaram inúmeras coisas e levantei suspeitas por viajar demais, especialmente nos últimos meses. Meu parceiro de viagem, que também anda por muitos países, teve o mesmo problema, com o agravante de que o passaporte dele estava quase cheio de carimbos. Foi uma péssima experiência. Ainda levaram muito tempo para confirmar minha afirmação de que “não preciso de visto para viajar para a Europa” e somando todos esses agravantes, cheguei em cima da hora para embarcar. Meu planos de arranjar um breve café da manhã foram para o ralo e pior: a refeição servida no vôo era composta de frutos do mar, algo que sou super alérgica. A aeromoça foi um tanto rude quando perguntei se ela não possuía nenhuma outra opção, onde ela rebateu: “Por que você não assinalou alimentação especial no site?”. Ela só não esperava minha resposta: “Tentei, mas vocês não oferecem nenhuma opção para alergia a frutos do mar”. Claro que ninguém era obrigado a me ajudar, mas um pouco de boa vontade não faria mal. Depois de um trabalho de engenharia social, ganhei a simpatia de outra aeromoça, que me descolou uma porção vegetariana. Simplesmente quero esquecer essa terrível jornada de saída no Japão. Dica: você se tornará muito suspeito no Japão se tiver que alterar os planos de sua viajem, mesmo que seja para reduzir a estadia!
A conexão em Helsinki foi curta e logo embarquei rumo à… Zurich, novamente! Mas essa aventura fica para o próximo post! Obrigada por ler!
