Por aí — O caminho até Geneva
03 de junho — Cheguei em Lugano no final da tarde. Saindo da estação tomei um funicular que descia um íngrime morro rumo ao centro da cidade. A tarde quente estava castigante e após me arrastar para o hostel, deixei as malas por lá e encontrei um restaurante para realizar um rápido jantar, seguindo-se de uma breve caminhada pelo centro da cidade. Assim que voltei para minhas acomodações, uma forte chuva começou. Lugano é um lugar muito interessante — localizado ao sul da Suíça, o idioma principal é o italiano. Aliás, nesse ponto, meu cérebro já estava fatigado com tantas mudanças de língua — alemão, francês, italiano. Senti um alívio por ouvir línguas latinas — a familiaridade dos sons e palavras propicia alguns momentos de descanso para a mente.
Depois de uma noite abafada, o dia começou com um simples café da manhã, acompanhado por um delicioso café caseiro! Que saudades eu sentia de um bom café! Na sequência, corri de volta para a estação principal da cidade. O roteiro do dia era pegar a rota do Bernina Express, que começa com um ônibus de Lugano a Tirano (na Itália), e de Tirano toma-se um trem de volta para Suíça (pode-se desembarcar em St. Moritz ou Chur; no caso, optei pela segunda cidade). Só consegui realizar este trajeto porque o Rail Pass também cobria a passagem! Só tive o gasto extra de reservar minha poltrona, mandatório no ônibus e no trem do Bernina.
Para meu infortúnio, no mesmo dia descobrira que meu cartão de crédito havia sido clonado! Ó não! O plástico fora falsificado e alguém tentava realizar saques na Indonésia. Para variar, o suporte do Banco do Brasil foi bem ruim e isso consumiu algumas horas do meu dia. Dica valiosa: sempre tenha um ou dois cartões de crédito reserva, preferencialmente desbloqueados e prontos para uso. Outra dica: tenha créditos no Skype para poder fazer ligações. Isso me salvou na hora de ligar para o BB para realizar o cancelamento do cartão clonado.
Deixemos a falta de sorte de lado — encontrei o ônibus que me levaria até Tirano e me surpreendi — o carro era muito confortável. A viagem por rodovias estreitas propiciou a vista para magníficas paisagens. Fizemos uma breve parada no trajeto de três horas. Por volta das 13h, pisava, pela primeira vez, na Itália! Nas imediações da estação, almocei uma excelente refeição e corri de pegar meu trem, que partiria por volta das 14h30m.
O trajeto de trem no carro panorâmico (operado pela Rhätische Bahn) propiciou muitas paisagens incríveis. Infelizmente, pegamos chuva pelo caminho. O ponto que mais me chamou a atenção foi a rota nas proximidades do Lago Bianco (estação Ospizio) e também a estação Alp Grüm. Após muitas pontes, túneis e cidades pitorescas, cheguei em Chur, já no final da tarde. Como o orçamento estava curto, hospedei-me longe do centro.
No dia seguinte, após o café da manhã servido pelo hostel, rumei cedinho de volta para o centro, dessa vez para pegar o Glacier Express (novamente, tudo graças ao Swiss Rail Pass. O único gasto extra foi a reserva da poltrona). Infelizmente, o tempo estava nublado e chuvoso e foi difícil tirar boas fotos. No fim da tarde, cheguei em Brig e de lá, rumei para Montreux.
Nessa altura, meu cérebro reclamava da constante mudança de idioma — alemão -> italiano -> alemão -> francês. Fora esse pequeno stress, apaixonei-me por Montreux, um local muito charmoso. E também muito caro! O jantar foi um sanduíche do mercado. Na manhã seguinte, uma chuva caía impiedosamente, sem parar. Aproveitei para ler e descansar. No fim do dia, após a trégua do pe d’água, consegui sair para uma longa caminhada ao redor do lago.
Meu plano original era pegar o trem de Montreux até Chamonix Mont-Blanc, mas infelizmente a ferrovia estava fechada para obras nos dias em que estive na cidade. Que pena! Pensei então em pegar a longa balsa e ir até Lausanne pelo lago. Mas a chuvarada não permitiu. Paciência! Fica para a próxima.
Na manhã seguinte, cedinho, rumaria para Geneva e para a conferência da qual participaria. Essa história fica para o próximo post. Obrigada por ler!
