OKJA (2017): entretenimento que nos provoca reflexão

Cena inicial que evidencia a forte relação existente entre Mija e sua super porca gigante com o nome que dá título ao filme.

Okja se apresenta inicialmente como um filme de aventura, não que ao desenrolar da trama ele se mostre o contrário, porém ele não tem finalidade nenhuma em ser meramente puro entretenimento com personagens estereotipados, rasos e protagonistas revestidos de heroísmo.

Sem sombra de dúvidas o filme traz a tona discussões contemporâneas a cerca de temas como a desumanidade da indústria alimentícia- muito bem retratado nas cenas finais do terceiro ato, quando a protagonista do filme adentra um frigorífero para salvar sua porca( na verdade, SUPER porca), e se depara com o brutal assassinato de inúmeros suínos. A mídia e seu poderio sobre a sociedade, é também um tema chave presente nessa coprodução entre EUA e Coreia do Sul. Ainda mais quando se pensa em algo como a rede Globo e sua eficácia como instrumento de manipulação da massa.

Não vá pensando que só pelo fato dele dar espaço à discussões e reflexões ele seja um filme lento, contemplativo e enfadonho, certamente ele é o oposto de tudo isso. Bong Joon- ho, diretor, produtor e roteirista do filme, consegue extrair interpretações que mesclam entre a dramaticidade e a comicidade de um elenco formado por atores e atrizes consagrados como a maravilhosa Tilda Swinton, o eterno `` Donnie Darko`` Jake Gyllenhaal, o enigmático Paul Dano e a jovem atriz sul-coreana que dá vida a protagonista do filme Seo-Hyeon Ahn, que juntos contribuem significativamente para que as engrenagens da narrativa se mantenham girando a todo vapor.

Levanto outro ponto crucial e para mim um dos mais profundos e emblemáticos do filme, que é a desconstrução daquele velho e saturado personagem que guiado pelo amor se dispõe a lutar bravo e heroicamente contra todas as mazelas da vilania, para salvar das guarras do mal quem tanto ama. Para falar a verdade essa descrição apresentada anteriormente defini muito bem a personagem quando se diz respeito ao amor como motivo maior para enfrentar toda e quaisquer adversidades. Já que ela percorre o mundo até chegar aos EUA, passando por situações de extremo perigo, para poder resgatar sua amiga e companheira Okja fadada ao abate. Algo que Mija faz com sucesso, após comprar a liberdade de Okja por meio de um valioso porco de ouro.

O filme se encerra feliz com cenas semelhantes à inicial na qual Mija e Okja brincam de forma despretensiosa e afável por entre a densa mata das montanhas sul-coreanas. Mas a empresa que outrora roubou e por pouco não trucidou o alvo de todo o amor de Mija, ainda permanece em pé cometendo barbáries contra os animais e engando inúmeras pessoas sobre a real qualidade de seus produtos. E não há Mija ou organizações em prol dos direitos dos animais, que vá derrubar estas empresas que se favorecem a partir da dor e sofrimento dos animais e da mentira que vendem a um público cada vez mais letárgico e alienado. Assim, com este tom pessimista e desencorajador termino meu texto sobre um filme sensível, divertido, reflexivo e realista chamado Okja.

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