Como incorporar a percepção do usuário na norma de desempenho de edificações ?

Auralizações e Isolamento Acústico de Fachadas

Harmonia
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Jul 30 · 3 min read

O mercado da construção civil é responsável por 6,2% dos US$ 2,080 trilhões do PIB brasileiro e o segmento de construção civil tem um valor agregado de US$ 23,4 bilhões. Neste contexto, desde que a norma de desempenho de edificações habitacionais ABNT NBR 15575 entrou em vigor em 2013, foi dada total atenção às consequências da aplicação dos seus critérios técnicos.

Esta norma é um marco para a acústica de edificações no Brasil, já que pela primeira vez estabeleceu a obrigatoriedade de que novos edifícios residenciais atendessem aos requisitos mínimos de isolamento acústico a ruído aéreo (fachadas, paredes e pisos entre habitações) e de impacto (pisos). Para os casos em que se pretende alcançar um maior desempenho e com caráter informativo, são apresentados critérios Intermediário e Superior, com valores mais exigentes que o Mínimo.

No caso específico do isolamento acústico de fachadas, o requisito mínimo é determinado de acordo com a classe de ruído do local onde a edificação será implantada. A norma considera três classes de ruído de acordo com a intensidade das fontes de ruído urbano, no entanto, as definições destas classes não são descritas com critérios objetivos. Uma breve descrição da paisagem sonora é informada, o que pode induzir a interpretações equivocadas. Por esta razão, a Associação Brasileira para Qualidade Acústica (ProAcústica) desenvolveu um manual para orientar o processo de definição das classes de ruído de forma objetiva, onde as classes são determinadas pelo nível de pressão sonora incidente nas fachadas através de medições em campo e software preditivo de propagação de ruído ambiental

Tabela 1: Requisitos da norma ABNT NBR 15575 para Isolamento a ruído aéreo de fachadas em dormitórios

Compreender estes novos requisitos não é intuitivo, tanto para o mercado da construção quanto para os usuários, devido à falta de conhecimento acústico. A complexidade não reside apenas na percepção da diferença de 5 dB entre cada nível de exigência (Mínimo, Intermediário e Superior), mas também na assimilação do conceito de classes de ruído I, II, III.

Para uma construtora, é difícil mensurar o custo-benefício de mudar o projeto de um futuro empreendimento que atende a um requisito mínimo para um superior, sem ter a percepção real da melhora do desempenho. Para os usuários finais, também é complexo decidir as vantagens de fazer um maior investimento em um novo apartamento com soluções de maior desempenho acústico sem ter a sensação auditiva de como ele irá ouvir os ruídos urbanos em seu novo lar.

Neste contexto, o desenvolvimento de ferramentas de auralização são de grande ajuda para aproximar o público não técnico. Auralização ou Audibilização é o processo de recriar o campo sonoro de uma fonte em um espaço, de modo a simular uma sensação binaural nesta posição do espaço, com fidelidade sonora.

No artigo apresentado pela Harmonia Acústica no último Internoise 2019, demonstrou-se uma ferramenta de auralização para para facilitar a compreensão dos critérios acústicos da norma ABNT NBR 15575 relacionados ao ruído ambiental e o desempenho de fachadas por parte dos usuários finais e construtoras.

A ferramenta contempla a experiência de virtualização da classe de ruído da área onde um edifício residencial seria implantado, assim como os diferentes critérios de desempenho de isolamento acústico de fachadas para qualquer fonte de ruído ambiental e solução construtiva. No esquema a seguir, são descritos os processos de desenvolvimento da ferramenta:

A implementação da norma ABNT NBR 15575 ainda é um desafio para os profissionais ligados ao mercado da construção, à administração pública e à população em geral, que ainda estão em adaptação aos requisitos acústicos. É fundamental aumentar a sensibilização e o conhecimento das partes interessadas.

O processo de revisão da norma foi iniciado em 2019 e, esta ferramenta preliminar de auralização, que relaciona requisitos objetivos à percepção dos usuários, pode funcionar como ponto de partida para pesquisas futuras que busquem determinar se os critérios atuais representam uma melhoria significativa na percepção de conforto acústico nas edificações residenciais brasileiras.


Mais detalhes sobre este tema podem ser obtidos nos artigos apresentados por nós no Internoise 2019, em Madri.

Carolina Monteiro e Marcel Borin

Ondas moldam o mundo

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