Qualidade acústica em escritórios

Harmonia
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Aug 14 · 4 min read

A aplicabilidade da norma alemã, DIN 18041, em escritórios brasileiros

A presença dos ruídos em nosso cotidiano pode ser percebida de diferentes maneiras, sendo muitas das vezes de forma negativa. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o excesso de ruído pode comprometer tanto a nossa saúde como também nossas habilidades durante os estudos, o trabalho e até mesmo durante nosso período de descanso.

Já foi demonstrado por diversas pesquisas, como o ruído no ambiente de trabalho pode ser prejudicial à qualidade laboral. O ambiente sonoro é hoje uma das principais fontes de reclamação dos funcionários em escritórios, perdendo apenas para o conforto térmico. Um exemplo comum destas reclamações é sobre as conversas ao telefone em ambientes abertos, como as áreas de trabalho tipo Open Plan. Esse desconforto pode ocasionar tanto distrações durante as atividades laborais como uma queda na produtividade dos funcionários.

Photo by Mimi Thian on Unsplash

Sendo uma das principais fontes de reclamações nos ambientes corporativos, fica mais fácil de entender a relevância deste ambiente sonoro sobre as atividades executadas em um escritório.

Um ambiente de trabalho com condições acústicas adequadas tende a gerar maior motivação nos funcionários, maior atenção na execução de suas atividades e um ambiente propício à execução de trabalhos que exigem maior concentração. Por esta razão, para garantir qualidade acústica nos escritórios é recomendado que seja elaborado um projeto específico de acústica.

Espaços corporativos com qualidade acústica vem sendo, cada vez mais, requisitados pelo mercado. Para atender a esta demanda, o projeto acústico deve basear-se em parâmetros objetivos propostos por normas.

Contexto nacional

Hoje, no Brasil, existe apenas uma norma, ABNT NBR 10152:2017, que indica critérios acústicos para projetar escritórios. Ainda que, esta norma indique apenas valores de referência de Nível de Pressão Sonora de acordo com o uso de cada espaço, é a única norma vigente para consulta.

Além da ABNT NBR 10152:2017, a norma ISO 3382–3 foi adotada no país como norma nacional, no entanto, esta norma apresenta apenas procedimentos de medições em escritórios.

Nesse contexto, devido a falta de referências normativas para projetar escritórios no país, o Grupo de Trabalho 10 da CEE 196 da ABNT iniciou um estudo para avaliar a possibilidade de adoção dos critérios e procedimentos da norma alemã DIN 18041, como referência para a elaboração de uma norma brasileira de acústica de salas comuns, como escritórios, escolas e hospitais.

DIN 18041: “Qualidade para acústica de salas: Especificações e instruções para projetos de acústica de salas”

A norma alemã fornece recomendações para projetar salas comuns e estabelece que a qualidade acústica de uma sala está diretamente relacionada ao seu tipo de uso e ao seu volume. Nesse sentido, esta norma divide-se em duas aplicações, a primeira onde a audibilidade ocorrer entre médias e longas distancias como a que ocorre em salas de reunião e salas de aula, classificada como Categoria A, e a segunda onde a audibilidade acontece em curtas distancias, como a que ocorre em Open Plans e Refeitórios, classificada como Categoria B.

Cada uma destas categorias é avaliada de forma distinta. Na Categoria A, a qualidade acústica do ambiente é garantida através do Tempo de Reverberação (TR) e da diretividade do som. Já na Categoria B, a qualidade sonora é garantida através da relação entre a área de absorção sonora e o volume da sala (A/V) e do controle de ruído na sala.

Photo by Benjamin Child on Unsplash

A DIN chamou a atenção do Grupo de Trabalho da ABNT devido a sua fácil aplicação à tipologia de escritórios mais utilizada no Brasil, à fácil predição dos parâmetros objetivos e à sua fácil verificação in loco.

Grupo de Trabalho 10 — ABNT/CEE-196

Em um estudo que já está em andamento, em colaboração ao GT10 da ABNT, estamos avaliando a aplicabilidade dos critérios desta norma alemã ao cenário Brasileiro. Nessa primeira fase, foi avaliado apenas o uso corporativo, ficando para as próximas fases o estudo da aplicabilidade em usos educacionais e da saúde.

Nesta primeira etapa, um estudo comparativo foi feito entre simulações em softwares específicos de cálculo e medições in loco. Para esse estudo foram escolhidas 41 amostras da Categoria A e 7 da Categoria B para avaliação.

O resultado desta primeria etapa foi satisfatório para a pesquisa como um todo, já que o estudo comparativo mostrou que a maioria das amostras havia atendido aos critérios da norma DIN, pois possuia algum tipo de solução acústica adotada, como por exemplo, forro ou revestimento de parede fonoabsorventes. Desta forma, foi possível concluir, que adotando o mínimo de tratamento acústico nestes ambientes é possível atender a norma alemã.


Este estudo foi apresentado como artigo no último Internoise 2019 em Madri, em colaboração com o Grupo de Trabalho 10 da ABNT, e tem como objetivo contribuir para a criação de uma futura normativa brasileira para qualidade acústica em salas comuns.

Para mais resultados desta pesquisa confira aqui o artigo completo!

Marcela Nakazato

Ondas moldam o mundo

www.harmonia.global

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Acoustics consultancy company | We believe that sound shapes the world | www.harmonia.global

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