Racionalizando (Ou lidando com a rejeição)
Alexandre Amorim
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— Sabe fulano, você confia demais nas pessoas. Por isso você se machuca demais, e vai se machucar ainda mais na vida.

— Mas isso é problema deles, defeito deles, não meu.

Esse é um diálogo que vi em alguma página de Facebook, mas que fez o maior sentido pra mim. Não por eu ser daquilo que se conhece como Euphemia Side of the Force (Referência a Code Geass), mas pelo fato de que Confiança é um sentimento (ou contrato social, que seja) que é positivo. Se você o estabelece com alguém, é porque você tem um saldo positivo para com esse relacionamento (de amizade, amor, ou negócios). O defeito está em quem quebra essa confiança.

Quebrar confiança, no entanto, não é só apunhalar pelas costas, não é só tratar bem bem na frente, e meter pau pelas costas. Essas são só as facetas comuns da quebra de confiança. Mas a faceta menos notada é justamente usar essa confiança para criar um relacionamento abusivo. Sim, amigos podem ser absurdamente abusivos também. E a ideia de você se sentir como se cortar esses laços ruins fosse algo que te prejudicará no futuro como pessoa é um sintoma do quanto certas relações tem sido abusivas com você.

Como assim? Pense um pouco na sindrome de estocolmo. Amar quem te aprisiona, ter medo de largar o que te faz mal por achar que nunca viverá algo melhor. Sindrome de Estocolmo é só o lado mais extremo do medo de largar algo abusivo. Mas o que a gente deve pensar a cada dia é que cortar o mal pela raiz não é algo que nos tornará secos, frios, isolados, facilmente irritados com as pessoas. Cortar quem nos faz mal é o que possibilitará um dia viver rodeado daqueles que trarão o melhor de nós para fora, rodeado por quem nos faz sentir-nos bem por sermos nós mesmos, rodeado daqueles que simplesmente não precisam que você se torne outra coisa para fitting in.

Se isolar do que faz mal, de pessoas que fazem mal, pode nos deixar longe de convívio social por algum tempo, mas nos dá a possibilidade de desintoxicar de pessoas ruins e perceber/valorizar as pessoas boas que, mesmo em minoria, nos engrandecem mais que o planeta inteiro. Qualidade acima de quantidade.