Update
Não me contive ao te ver passar. Na vida, na calçada, na timeline. Os tempos são difíceis para os amantes da estrada. Nem querendo muito a gente desapega da famosa “stalkeadinha”. E aí, nem pegando avião pro japão a gente consegue ficar longe. Esse papo de amar à distância já tá quase batido porque basta um clique e a pessoa tá ali, inteira, scaneada, toda escrita na legenda, com localização em tempo real e haghstag que é pra não ter forma de não achar. E cá entre nós, um coração sagitariano não se aquieta enquanto não vê tudo o que tem pra ver. Limites? Pra quê, se a gente sabe que amanhã vai ser tudo de novo, aquela olhadinha aqui, uma curtida ali, ops cuidado pra não “amar” a foto antiga. Rola o feed e segue o baile! O fim da madruga é sempre um sofrimento pra quem vai fundo demais e ultrapassa a segurança de desconectar a rede. Offline a gente tá embalado à vacuo contra qualquer tipo de surpresa ou atualização de status de relacionamento. Mas e se a vida fosse um pouco mais leve que os cliques, e as noticias demorassem mais que um F5 para chegarem aos olhos, será que deixaríamos de buscar incansavelmente pelo traço inédito das suas falhas? Doeria menos virar a esquina e ver as mãos dela dadas a alguém e não saber onde enfiar a cara, ao invés de receber a dura novidade numa telinha de dentro do seu quarto, num simples update da madruga? Eu não saberia dizer. Nasci nessa geração que tem fome de estar, e tempo escasso para lamentações. Despejamos no simples tudo que não pode ser drama e aqui nos encontramos desesperados a fumar um cigarro no prédio mais alto da cidade só para sentir o vento da complexidade soprando no rosto, já que outras coisas não sentimos mais. Mas apesar de todas essas mentiras que dessa juventude tentamos sustentar, e que não somos nem em um centímetro do que aspiramos, não me contive ao te ver passar. Atualizo: ainda te amo.
