Blockchain: o básico que você precisa saber em 5 minutos

O Blockchain é o assunto preferido de 11 em cada 10 sites de notícias “especializados” em tecnologia, ao menos lá nas gringas. Existe um buzz gigantesco em torno do assunto, como se essa tecnologia fosse resolver todas as mazelas do mundo num futuro próximo, entretanto, é importante conhecê-la um pouco melhor antes de sair acreditando em qualquer coisa que se lê por aí.

Qualquer um que leu mais do que apenas manchetes sobre o assunto sabe que o Blockchain é a tecnologia que torna possível a existência do Bitcoin, a criptomoeda criada por Satoshi Nakamoto e lançada no já longínquo ano de 2009.

Em 2009 o Brasil ainda não tinha levado 7x1 da Alemanha, não tinha ganho o ouro olímpico contra a mesma Alemanha e Michael Jackson ainda estava vivo!

Entretanto, diversos artigos sobre o assunto tentam desvincular completamente o conceito de Blockchain do Bitcoin. Alguns fazem até pior: dão a entender que a tecnologia Blockchain foi desenvolvida para ser algo de propósito geral e o Bitcoin é apenas uma das aplicações possíveis, sugerindo — mesmo que involuntariamente — que o Blockchain precede o Bitcoin.

Ocorre que, na realidade, a relação é inversa: o Blockchain foi criado justamente para resolver um problema de negócio específico do Bitcoin: emissão e transferência de dinheiro eletrônico de forma descentralizada e sem autoridade central que as controlem.

Levaram-se uns bons 3 anos para que as pessoas começassem a perceber que talvez houvesse usos diversos para a tecnologia além da transferência de moeda eletrônica. Desde então, diversas pessoas do mundo inteiro têm dedicado bastante esforço em expandir os conceitos originais do Blockchain para uma gama cada vez maior de aplicações.

Um pouco do contexto atual

Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito muito distante, empresas e comerciantes utilizavam um caderninho para anotar os registros das suas transações financeiras, que se pareciam muito com este aqui:

Acho que foi dessa forma que Noé contabilizava os animais na arca

Tal caderninho é chamado de ledger em inglês (em português, o mais comum é livro-contábil mesmo).

Com o avanço da tecnologia, as pessoas foram abandonando o caderninho e passaram a ter sistemas computacionais para armazenar e manter esses registros. Hoje em dia, até a padaria da esquina tem um computador que roda um sistema contábil que facilita bastante a vida dos proprietários.

Apesar disso, a funcionalidade que esses sistemas contábeis fornecem para pessoas e empresas em geral é bastante limitada. É bastante difícil, por exemplo, que eles consigam realizar transações financeiras de forma automatizada e com segurança. Quando o fazem, é através de uma custosa integração com APIs dos bancos dos quais a empresa é cliente.

O resultado disso é que vivemos em um mundo bastante centralizado. Mesmo quando existe uma certa descentralização, ela é bastante custosa e acaba sendo concentrada em alguns poucos pontos.

Descentralizado, pero no mucho!

O fato é que até pouco tempo atrás não havia uma maneira segura de fazer esses sistemas conversarem entre sim sem um terceiro confiável que intermediasse esse serviço. E normalmente, esses terceiros cobram caro para prover essa “facilidade”.

Talvez o exemplo mais emblemático seja a transferência internacional de dinheiro. Quem já tentou fazer isso pelas vias mais comuns sabe que pode ser uma experiência frustrante, demorada e bastante cara.

Mas afinal, o que raios esse tal Blockchain tem a ver com isso?

Imaginem um mundo no qual existe uma forma de se comunicar com qualquer pessoa no mundo, em tempo real, sem a necessidade de ter alguém estabelecendo essa comunicação e, por tabela, ouvindo toda a conversa. Oops, esse mundo existe! É o nosso e você pode fazer isso através da internet.

Um fato muito importante é que absolutamente ninguém tem o controle absoluto sobre a internet. É claro que você depende de um ISP para acessá-la, mas caso algum deles se recuse a concedê-lo, você sempre pode procurar um outro que queria. E isso acontece porque a internet, mais do que descentralizada, é uma rede distribuída:

Rede distribuída é anarquia: ninguém manda em ninugém

E se existisse uma rede que te permitisse transferir dinheiro e outras coisas de valor de maneira instantânea, para qualquer pessoa em qualquer parte do mundo sem a dependência de ninguém e que, assim como a internet, não fosse controlada de maneira central por nenhuma pessoa ou instituição?

Adivinhem só: essa tecnologia existe e é conhecida como Blockchain.

Rly?

Eu já vi diversas definições sobre o que é Blockchain por aí, mas não satisfeito com nenhuma delas (sim, eu sou chato pra caramba!), resolvi formular uma própria (obviamente, baseada em todas as demais):

O Blockchain é uma plataforma distribuída que permite a transferência de propriedade de ativos para qualquer lugar, em tempo real, sem a necessidade de um intermediador confiável.

No Blockchain, unidades de informação são chamadas de transações. Se, por exemplo, um cara chamado Bob deseja enviar dinheiro para sua amiga Anna, ele cria uma transação cujo “remetente” é ele e o “destinatário” é a amiga:

A transação diz que Bob deseja enviar 300 dinheiros para Anna

Entretanto, essa transação não precisa necessariamente conter transferências monetárias:

Parece brincadeira, mas já teve brasileiro que registrou o nascimento da filha no blockchain

Nos próximos artigos eu pretendo explicar como a tecnologia funciona.

Is-i-isso é-é t-t-tu-tudo pe-pessoal!

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