Dois anos sem Facebook: o que eu aprendi

Não, esse não vai ser um daqueles textos que tentam te convencer a abandonar o Facebook e que, se você fizer isso, sua vida será muito melhor, você não terá mais cáries e até seu intestino vai funcionar regularmente (e sem Activia).

Não, esse também não vai ser daqueles textos fervorosos de quem jura que encontrou o caminho, a verdade e a vida depois que abandonou a mais famosa rede social de todos os tempos. Alguns desses textos são tão ardorosos que eu sinto que a pessoa está a um passo de criar uma nova seita — ou pirar de vez e ser internado num hospício. Ou ambos.

E esse não vai ser um texto assim simplesmente porque nada disso aconteceu. Minha vida pós-Facebook continua normalmente — ou pelo menos tão normalmente quanto é possível para mim. Faço praticamente as mesmas coisas que eu fazia, continuo votando no mesmo partido e minha unha ainda está encravada. Mas não isso não significa que eu não tenha aprendido nada ao dar as costas com, confesso, uma pontada de apreensão, da rede social do Zuckerberg. O que eu aprendi foi (rufem os tambores !):

Você deve se importar com quem se importa com você.

Sim, eu sei, parece um clichê piegas daquelas apresentações em palestras motivacionais, mas senta aí (acho que você já está sentando, mas tudo bem) que eu vou explicar melhor.

Pronto, você já pode usar esse clichê em seus slides motivacionais. De nada.

O meu maior medo ao sair do Facebook era que eu perderia contato com pessoas que eu achava serem importantes para mim. E aí o tempo passou e eu descobri duas coisas: boa parte das pessoas que eu achava que eram importantes para mim, na verdade não eram. E as que eram verdadeiramente importantes deram um jeito de continuar mantendo contato comigo.

Uma terceira descoberta derivou dessas duas primeiras: a maior parte das pessoas nem sequer nota a sua falta. E é porque você não faz falta mesmo.

Do que adianta você aparecer uma vez por ano no perfil daquele seu colega de escola da infância, daquele primo que você só vê nos casamentos da família ou daquele ex-colega de trabalho de dez anos atrás para dar a eles o parabéns pelo aniversário ? Não adianta nada. Ele não precisa do seu parabéns. Ele tem as pessoas importantes para ele, e são delas que ele está esperando o parabéns, não de você.

Eu chamaria essas minhas descobertas — óbvias, eu sei — de principio da nulidade. Para a esmagadora maioria das pessoas que cruzam a sua vida, você significa pouca coisa mais do que nada. E o Facebook — e outras redes sociais muito “massivas” como foi o saudoso Orkut em sua época — amplifica a sensação contrária — de que você é importante para as centenas de pessoas que você adicionou por lá.

Ao sair do Facebook, eu reduzi esse “ruído” e passei a dar importância às poucas pessoas que realmente se importam com a atenção que eu dou a elas. Isso não mudou a minha vida, não me fez ficar rico ou curou meu joanete, mas me fez ser menos infeliz — mais feliz já seria uma conquista muito grande, mas quem sabe um dia eu chego lá.

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