E-mail dos correios: existiu, eu estava lá e não foi lindo…

Às vezes eu acho que o que vou relatar agora não aconteceu mesmo, foi só um sonho ou um delírio da minha parte. Mas aí vejo os screenshots que eu tirei para um texto no meu outro blog e a realidade me assombra: sim, existiu um e-mail dos correios, e eu tive um conta lá.

Isso foi na era pré-Gmail, no começo desse século. Eu queria uma nova conta de e-mail para cadastro nos sites de compras e não ficar recebendo spam nos meus e-mails particulares. Havia poucas opções: BOL e ZipMail, cada um com estonteantes 10 Mb (mega, não giga) de espaço.

Mas aí eu soube que os Correios estavam estreando um serviço de e-mail. Eu era cadastrado no site deles porque sou filatelista — sim, nós ainda existimos, mas somos uma raça em extinção. Se encontrar com um de nós por aí, seja gentil. Oferecia 15 Mb e tinha acesso POP para poder usar o seu programa favorito sem precisar acessar o Webmail (estávamos no tempo da internet a lenha, digo, discada). Era perfeito para mim. Criei uma conta.

Algum tempo depois surgiu o Gmail, consegui um dos cobiçados convites e acabei redirecionando todas as minhas contas para lá, como faço até hoje. E acabei esquecendo da minha conta no Correios.net.

Aí, num dia ensolarado (era novembro) de 2011, fiz uma compra num site de e-commerce com nome de meio de transporte subaquático e o e-mail de confirmação não chegou no Gmail. Aí me lembrei da minha esquecida conta e fui lá acessá-la. E ela continuava exatamente igual a oito anos atrás. Parou no tempo.

A prova que ele existiu mesmo. Essa era minha caixa de entrada. Em 2011.

Para ser justo, não estava exatamente igual. Tinham aumentado o espaço do e-mail para 100 mb. O Gmail já oferecia 1Gb em 2004. Mas a interface do webmail ainda era a mesma. A impressão que eu tive é que abandonaram o servidor de e-mail em algum banheiro do quinto andar e que a qualquer momento ele seria desligado por um faxineiro desastrado e ia parar de funcionar para sempre.

A tela de criação de e-mails. Só texto puro, nada de negrito, itálico, etc…

Trabalhando no serviço público desde 2002, eu não deveria me surpreender. São assim que as coisas funcionam na esfera governamental: uma boa ideia surge, mas por pura falta de interesse dos escalões superiores acaba ficando obsoleta e acaba. Foi isso que deve ter acontecido por lá: diretorias mudam, novas prioridades aparecem, e aí o que tinha sido um bom serviço de e-mail para a sua época fica totalmente sem utilidade.

O e-mail do Correios.net acabou em 2012. No ano seguinte, quando descobriram que os americanos espionavam a presidenta Dilma (uau, americanos espionam chefes de estado pelo mundo, que surpreendente !) se aventou a ideia de que os correios provessem um serviço de e-mail nacional com criptografia e tudo o mais. Bem, parece que a ideia não foi para a frente (nada surpreendente também) mas é triste pensar que os Correios já tinham tido um e-mail, que funcionava até pouco tempo atrás, e que se tivesse sido mais bem divulgado e atualizado, ainda estaria funcionando até hoje. Ou seja, não seria necessário “reinventar” a roda.

Mas isso seria querer que o serviço público fosse eficiente né ? Acho que é querer demais. Trabalhando dentro do “sistema” eu posso dizer para vocês: o problema do funcionalismo público no Brasil não é a corrupção. É a ineficiência mesmo, principalmente dos gestores, mais ainda dos mais graduados e importantes. Mas esse assunto fica para outro dia…

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