Não é um escape

Foto de João Belém

Como já escrevi anteriormente, o que suporta financeiramente a minha actividade enquanto criador de música, é o day job.

O day job é fantástico, não me posso queixar, para além de me roubar a alma habitualmente das nove às seis, também me dá acesso à medicina do trabalho.

Foi numa dessas visitas, que são normalmente muito úteis em termos de saúde, que o médico, depois das perguntas da praxe, me surpreendeu:

“Então e o que é que o senhor faz para além do trabalho? Quais são as suas outras actividades? Ler? Ir ao cinema?”

Eu respondi surpreso, pois não é comum, numa visita rotineira alguém se interessar pelo que faço.

“Bom…canto e toco guitarra. Componho originais e tenho uma banda, dou uns concertos. É o que mais gosto de fazer. É o meu escape.”

Ele tirou os óculos (sim, tirou mesmo, eu sei que pode parecer cliché de escrita, mas ele tirou mesmo) e olhou para mim.

“Isso…isso que você faz…cantar… tocar… fazer música…isso
Isso não é um escape.
Um escape é uma coisa suja, como o fumo que sai dos automóveis.
Isso não é o escape… é o motor

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Se quiseres ouvir o que faço: inmyths.com

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