Rouba-me à vontade

Enquanto criador de música sempre tive a postura de não querer ter nada a ver com instituições como a SPA. Qualquer menção à burocracia me fazia comichão (ainda faz).

A música é para ser livre e espalhada. Roubem-me a música à vontade, não quero saber. De onde vem esta virá outra ainda melhor.

Não que estivesse realmente à espera que alguém roubasse as minhas músicas. Não acho que as minhas obras primas sejam assim tão boas ao ponto de alguém as querer roubar.

Até ao dia em que encontrei a AMAEI. Foi através desta associação fonográfica independente que aprendi que andamos a ser literalmente roubados. Através dos direitos que enquanto autores, artistas e editores temos.

A questão é relativamente simples.

Todos os locais que têm música (bares, discotecas, cafés, ginásios, elevadores, salas concertos ao vivo, rádios, canais de televisão, etc.) pagam as respectivas licenças à Sociedade Portuguesa de Autores (no caso da música ao vivo, direitos de autor), e à Passmúsica (GDA+Audiogest no caso dos direitos conexos, a artistas e editoras de música).

O valor pago por estas licenças depende de vários factores (tamanho da sala, número de espectadores, bilheteira, etc) e é junto num bolo o qual é posteriormente dividido por quem está inscrito nestas instituições.

Ora aqui reside um problema (a meu ver) para os músicos (e não só, any editoras independentes in the room?).
A maior parte da malta que anda a tocar não está inscrita em nenhuma destas instituições.
O que quer dizer que apesar de ter direito a receber pela geração de direitos autorais (porque dá concertos ) e conexos (porque passa nas rádios e televisões) não recebe nada. Esse dinheiro vai apenas para quem está inscrito.

Sim, se não tiveres inscrito, quando dás concertos nas fnacs estás literalmente a deixar dinheiro em cima da mesa que vai parar à conta de outros músicos que estão inscritos (vá, os Delfins até merecem).

Para além de apontarmos o que não está bem, era porreiro que fizessemos alguma coisa para mudar. Por pouco que seja, por exemplo, passar a palavra e o conhecimento para pôr o pessoal a falar uns com os outros acerca destas coisas e outras que nos interessem enquanto músicos ou editores da nossa própria música.

Isto é assunto que dá pano para mangas e não existe apenas uma visão das coisas, mas que estás a deixar que te roubem, lá isso estás. Ou então não te interessa e nesse caso está tudo bem, na boa.

Têm havido uns workshops promovidos pela AMAEI que ajudam a esclarecer melhor estas questões. Fica atento.

Continuo a achar que a música devia ser livre e que estas tretas são desnecessárias num mundo verdadeiramente livre. Mas até lá temos de ir falando.


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Se quiseres ouvir o que faço: inmyths.com

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