Parem de romantizar a depressão
Michael Maia
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Na minha concepção, depressão não é doença, e chamá-la assim é tão danoso quanto dizer que é frescura. Explico: quando adquirimos uma pneumonia, pouco importa quem é o indivíduo que adoece. Os sintomas serão muito parecidos, da criança ao idoso, com raras particularidades. O tratamento também será o mesmo, com poucas variações. E se não tratada, ela evoluirá mais ou menos de maneira estabelecida. Assim sendo, consigo diagnosticar uma pneumonia com uma boa clínica e definir o melhor tratamento. Depressão não é assim. A Psiquiatria tenta listar sintomas que definam o diagnóstico, traçar a evolução desses sintomas, e nos convencer que antidepressivos resolvem o quadro, mas erra. Erra porque quando falamos de pneumonia, há um sujeito e uma doença. Quando falamos de depressão, o sujeito é inseparável da “doença”. Os sintomas nada mais são que a resposta de um psiquismo em sofrimento. Os remédios nada mais são que anestésicos emocionais. E de nada adianta suprimir os sintomas com química, se o sujeito que sofre não for também visto em seu sofrimento.

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