Da utopia à sobrevivência num piscar de olhos. De repente, a promessa de um mundo hiperconectado, onde a sociedade civil organizada atuasse como um gatilho para o futuro ficou em baixa. Não foi a ideia que se perdeu. Do ponto de vista de um hacker do século passado não tivemos tempo, nem o compromisso necessário para transformar de vez o paradigma capitalista.

O desmonte é muito difícil e acompanhado das ações retrógradas de gente como a gente não conseguimos alcançar um mundo melhor. A multidão se desenvolveu como um paradoxo da sociedade contemporânea mas ainda não teve a potência de se organizar como uma opção. As tentativas foram muitas e efetivas. Tivemos sucesso. Mas apesar de toda criatividade embutida, de todas as ações diruptivas não foi possível seccionar o poder do ser humano. O poder fala mais alto e determina o estado da falta de graça.

Da utopia à sobrevivência transitamos pelo pessimismo. Pois é, deu merda! Não vamos ter tempo de acreditar que é possível transformar a humanidade. Isso só aconteceria se uma ação alienígena devastadora assombrasse os céus poluídos das grandes metrópoles.

Aquilo que é do homem, o bicho não come e, assim, continuamos na ladainha de não olhar para os lados e compreender os sinais do antropoceno. O que é isso? Frio, calor, frio, chuva, sol… tudo acontecendo em menos de 24 horas para o regozijo da humanidade. Mas ninguém se liga que a coisa tá preta. Que o futuro é a fuga do planeta. Mas será que você e sua família serão os contemplados com a viagem à Marte? Ou será que ficaremos por aqui junto aos destroços da civilização. A resposta você já sabe, logo, vamos aprender como sobreviver com dignidade. Não estou afins de caçar ratos e pombas.

Da utopia só nos restou a sobrevivência. E para sobreviver bem temos que voltar a pensar nos agentes transformadores. Na utopia de uma conexão livre, da inteligência coletiva, na colaboração entre as pessoas e, na generosidade de um com os outros. E, a vontade de manter as raízes à terra e reconstruir a partir da derrocada do sistema. Os escombros são os novos recursos. A reciclagem é antagônica à escassez. Esse é o caminho do retorno daqueles que não foram.

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