Flores de submissão

Helder Medeiros
Aug 8, 2017 · 1 min read

Manhã passada o encontrei perdido naquela sala lotada. Ganhei um sorriso acompanhado de um semi abraço. Senti cheiro de pele lavada e parecida ficou minha alma matinal. Enquanto falava, com seus dentes brancos e um olhar grosso a mostra, fui ficando cego. Seu toque pareceu cobertor de cetim num quarto trancado onde eu, no frio do lado de fora, procurava incessantemente pela chave.

Tarde passada ele fumava debaixo de uma árvore. Camisa aberta, bermuda surrada e fumaças aos céus. Compreendi que ele não sente a mesma apreensão que eu quando nos aproximamos. Fração ínfima de deferência de sua parte. Intimidade quimérica. A cena me dividiu entre o aturdido e o embaraçado, sendo o único motivo disso minha frivolidade crônica. Me perdoa, pensei, enquanto ele pisava na bituca.

Noite passada efetuou-se a síntese do que isso se trata. Em um dos meus devaneios de repouso ele dava de presente para outra pessoa um enorme buquê de rosas junto de um cartão com palavras piegas. Bem ali, na minha frente. Ludibriado me senti. Porém, ironicamente, voltei à realidade sorrindo. Feliz porque sonhei com ele, mesmo sem ter ganho uma flor sequer.

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