Trinta e oito chaves

Você já fez alguma coisa que jamais contaria a alguém? Já disse algo pra si mesmo que nunca diria a outra pessoa? Já se desesperou pela possibilidade da descoberta?
Vivemos cheios de questões e já não consigo dizer se esta condição é tão saudável quanto dizem. Afinal, a falta da certeza é como um óculos de grau que se compra em camelô, e queria eu poder agir sem a influência de uma visão estragada pouco a pouco.
O receio nos cega. Somos seres dotados de felicidade que vivem eternamente assombrados pelo medo de perdê-la. Pura e puta injustiça. Se tivéssemos sido avisados desde o começo, a anestesia amorteceria a queda, mas certas drogas não se vendem em farmácia e obtê-la através de seus meios poderia ser um crime.
Em um molho de trinta e oito chaves, existe a possibilidade de nenhuma delas abrir esta porta. Mais frustante do que descobrir tentando é ter esta informação com antecedência.
Em todos os mais obscuros segredos existem claridades que os tornam compreensíveis, mas, infelizmente, poucos são os serem humanos capazes de enxergá-la. Por isso sinto que sempre preciso pensar trinta e oito vezes. Raciocinar é difícil e pensar dá trabalho. Mas continuemos, orando os céus para que sejamos ex-preguiçosos-mentais num futuro próximo. Assim, a descoberta da verdade se tornará um hábito dos seres evoluídos.
