Tsunami


O mar anda sossegado. Calmo demais. A beleza das coisas, a importância dos pequenos gestos, a felicidade feijão-com-arroz, absolutamente tudo faz sorrir ou chorar. O céu sempre azul ou estrelado. Eles tanto se divertem. Como a calmaria assusta.

A história começou como um relâmpago nesse beira-mar. Muito barulho, as grandes luzes, o pânico e o alívio. Tudo virou amor desde então. Abraços em excesso, beijos imprevistos, sorrisos que doem a boca. E quanta gritaria. Quanto incômodo alheio. Extremos que se completam de todas as possíveis formas.

Viver a felicidade é tão utópico ao mesmo tempo que é real. Tão ridiculamente paradoxal. Olhe só esta rima não-intencional. Esta fluência dos fatos e dos dias que completam o ser e o estar. Quebra. Ser feliz é dirigir um carro em alta velocidade em que estou dentro e fora ao mesmo tempo. Não consigo frear, tampouco acelerar.

A praia está lotada e eles estão felizes, mesmo com o sol se pondo em um céu nublado e um vento frio que arrepia. Alguns correm pela areia, outros entram na água agitada sem medo de afogar.

Se ancore em mim e se perca no mar.

Me impressionei com um otimismo, até então, encorajador. Era muito mais do que só isso. Era a mais pura felicidade criada para aquele instante. O momento pré-tempestade que espera e desespera a todos.

Perguntei qual o sentido de tudo e me responderam com uma citação boba. Olhei para os lados e, quase sem pensar, me aventurei. A água estava gelada e o calor do instante fez deste o menor dos incômodos. Um oceano de emoções que o corpo não conseguiu esconder. Aquilo, eu vi, era felicidade sem o medo de ser engolido pela catástrofe, mesmo sabendo que ela logo chegará.

Não tenha medo 
De mergulhar 
Nas profundezas
E começar 
Um tsunami.
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