Como Behavioral Economics está nos ajudando a construir uma seguradora?

Quando começamos a Casuall, queríamos trazer todos os conceitos mais inovadores que existiam no mercado. Falamos em tecnologias como blockchain, inteligência artificial, machine learning, IoT, etc. Mas um perigo que não podíamos correr era o de misturar muitas inovações ao mesmo tempo e deixar o produto de difícil entendimento. Afinal, se nossa missão é simplificar um seguro, como poderíamos partir de um ponto em que nossos usuários fossem obrigados a dominar conceitos avançados de tecnologia para que pudessem entender e utilizar nosso produto?

Decidimos, então, que poderíamos utilizar esses novos conceitos desde que as pessoas os aderissem de forma natural, sem que necessariamente precisassem entender sobre aquilo que estão utilizando. E um desses conceitos é a chamada Behavioral Economics, ou Economia Comportamental.

Fazer uma seguradora, como vocês podem imaginar, não é algo trivial. Mas fazer uma seguradora baseada em Economia Comportamental é, além de um desafio, uma aposta. Behavioral Economics estuda o fato de que, ao contrário do que a Economia tradicional diz, as pessoas não tomam decisões lógicas, racionais, baseadas em fatos e no que é melhor para elas, mas sim com base em experiências, emoções e situações externas que influenciam diretamente em sua racionalidade. Estudos mostram, por exemplo, que o comportamento das pessoas muda diante de estarem sendo observadas ou não. Muda, também, dependendo da forma em que opções lhe são apresentadas e da necessidade que elas têm sobre determinadas coisas.

Para entender melhor, vamos supor que você estivesse fazendo uma prova de recuperação para passar de ano na escola. Obviamente você sabe que é errado colar, mas digamos que o fiscal tenha saído da sala por alguns instantes e que todo mundo começasse a conversar, trocando as respostas da prova. Diante dessa situação, em que você precisa muito ir bem nessa prova, qual é a probabilidade de você também colar só porque todo mundo está fazendo 0 mesmo? Os estudos mostram que, quando todo mundo faz algo errado, as pessoas, mesmo sabendo que é errado, acabam banalizando o erro e o cometendo também.

Mas se isso acontece para o mal, felizmente também é verdade para o bem. Brasileiros, em geral, se comportam de forma mais civilizada quando estão no exterior, por exemplo. Mas por quê? Porque a cultura local também influencia em nossas atitudes e isso vale para cultura com uma visão macro, mas também com uma visão micro. Ou seja, as nossas atitudes variam por causa da cultura de um país, mas também variam quando estamos dentro de pequenas culturas, como em uma igreja ou em uma balada. Economia comportamental fala justamente que nossas atitudes são influenciadas pelo meio em que estamos ou vivemos.

Mas o que isso tem a ver com uma seguradora? Se olharmos a fundo, perceberemos que a micro cultura que envolve a relação entre um segurado e o segurador se baseia na desconfiança, na omissão de informações por ambas as partes e no conflito direto de interesses. Isso resulta em fraude, preços altos e demora para pagamento de sinistros, o que se torna uma reação em cadeia.

Na Casuall nós decidimos mudar essa atmosfera e fazer com que a nossa micro cultura seja justamente o oposto: de confiança, sem conflito de interesses e de ajuda social. Para isso, vamos pegar uma pequena comissão transparente do valor pago pela aquisição do seguro e o restante será destinado a um fundo sem fins lucrativos, segurado por um ressegurador, com o único intuito de cobrir os prejuízos que nossos usuários infelizmente venham a ter em um momento de pouca sorte. Dessa forma, nós garantimos que, ao analisar os pedidos de cobertura, teremos total isenção para pagar de forma genuína e transparente tudo aquilo que deve ser pago, sem nenhum interesse de lucro sobre esse dinheiro e da forma mais rápida possível.

Além disso, por não haver fins lucrativos, os recursos que sobrarem nesse fundo serão retornados à sociedade através de investimentos em saúde, educação, segurança e demais causas sociais. Assim, sempre que você decidir por proteger os seus pertences, estará automaticamente ajudando a construir uma sociedade melhor, mais justa, inclusiva e segura para todos nós que vivemos nela. ;)

Ao criar essa micro cultura do bem, acreditamos que podemos mitigar o índice de fraude que uma seguradora sofre (bilhões de reais por ano, em média 20% de todos os sinistros pagos), reduzir os valores cobrados pelos seguros e devolver à sociedade os lucros dessa operação.

Estamos muito convictos de que a Economia Comportamental vai nos ajudar verdadeiramente a transformar esse mercado. Vamos confiar primeiro nos nossos usuários para que também sejamos confiados, mas sempre respeitando os limites da razoabilidade para proteger o negócio, as pessoas e as causas em que todos acreditamos, exercendo o papel de guardiões dos interesses daqueles que confiaram à gente essa missão social.