O começo de uma revolução.

Hoje é um dia especial. Criei essa conta para começar a dividir com o mundo um grande desafio que temos pela frente: mudar o mercado de seguros no Brasil.

Tudo começou em 2015 com uma ideia ousada que chegava a dar medo quando contava para alguém sobre minha vontade de mexer na área de seguros. Um mercado super regulado, em que me diziam (e dizem até hoje) ter um lobby por trás muito forte, além de ser um oligopólio intocável. Da primeira ideia que tive para cá, muita coisa mudou. Parece que meu feeling estava correto. Começou uma verdadeira corrida no mundo para inovação no mercado segurador. Para se ter uma ideia, em 2013 foi investido US$ 324 milhões em empresas que queriam inovar no ramo de seguros, montante que saltou para US$ 2,6 bilhões em 2015, fazendo com que o termo "insurtech" (insurance + technology) ganhasse força.

Parecia até insensato. Eu não sabia nada sobre seguros, mas queria revolucionar este mercado. Só que a questão era justamente essa: eu não precisava saber como funcionava o mercado de seguros porque, na verdade, eu nem queria saber. Eu não podia estar viciado nos velhos e tradicionais moldes impostos por essas empresas. Bastava que eu soubesse que eu não queria mais ter um seguro daquele jeito. Era necessário repensar esse mercado do zero, questionar o status-quo e não dominar os processos já utilizados para apenas replicar o velho jeito com um novo CNPJ. E isso foi um grande desafio. É claro que, depois de 2 anos analisando esse mercado, foi inevitável que eu conhecesse como funciona uma seguradora centenária, mas o ponto positivo é que eu fui conhecer depois de repensar o modelo e enxergar de fora os problemas reais que esse mercado enfrenta.

Um mercado de US$ 4,5 trilhões, quase 6% de toda economia global, dominada por grandes e robustas seguradoras centenárias, com um sistema hiper regulado e que praticamente não permite novos entrantes só podia resultar no óbvio: é uma das top 3 piores experiências digitais para o consumidor, segundo pesquisa feita pelo BCG e Morgan Stanley.

Poucas empresas são tão mal vistas como as seguradoras. A relação entre segurado e segurador é contenciosa, de desconfiança e claro conflito de interesses. Não era para ser assim. O princípio básico do seguro é bonito e altruísta: pessoas se unem em comunidade para ajudar aos menos afortunados. Mas essas relação se inverteu. Seguro não é mais um bem social e sim um mal necessário. Chegamos ao ponto em que seguro virou quase que sinônimo de colocar o gato para cuidar do rato. Afinal, a verdade por trás de toda essa relação conflituosa é que cada real pago em sinistro por uma seguradora, é um real a menos em seu lucro.

Todos nós já ouvimos casos em que se leva muito tempo para que uma seguradora finalmente pague um sinistro ao segurado. Isso acontece porque a atitude padrão é de desconfiar que a pessoa esteja cometendo uma fraude. Mas não era para ser assim. A premissa base de um seguro é a confiança e a percepção padrão deveria ser a de que o seu cliente, em quem você confiou para dividir o risco, está falando a verdade, porque a ampla maioria está de fato falando a verdade. Sem contar o fato de que você paga um seguro por meses ou anos sem usar e, quando infelizmente algo desastroso acontece e você precisa recorrer ao seguro, descobre que nunca está coberto. Já vi casos em que o contrato de dezenas de páginas da seguradora a protegiam até da possibilidade de um objeto sideral cair no seu telhado. Não sei o que essas empresas estão pensando, mas estão precavidas para até se chegar ao ponto de um E.T. cair na sua casa, elas não terem que pagar por isso. Por essas e por outras é natural desconfiarmos de que estamos sendo ludibriados, e isso está levando pessoas a cometerem pequenas fraudes contra as seguradoras. Segundo uma pesquisa feita nos EUA, 25% das pessoas acham perfeitamente razoável mentir para uma seguradora a fim de aumentar os valores recebidos por um sinistro. São pessoas comuns, como eu e você, mas que estão se tornando criminosas pelo simples fato de fazerem parte de um sistema naturalmente propício à corrupção. Fraudar uma seguradora é crime e dá cadeia. Mas as pessoas estão ok com isso porque também se sentem violadas pela outra parte. Para compensar essas perdas as seguradoras aumentam cada vez mais os chamados prêmios, que são os valores pagos para contratar um seguro, e isso gera um ciclo vicioso do mal.

Ao criar a Casuall, nosso desafio será inverter toda essa relação. Precisamos transformar o mal necessário de volta em um bem social. Precisamos construir relações de confiança com as pessoas e precisamos confiar para que sejamos confiados. Queremos criar um ciclo vicioso do bem.

Nós não somos uma seguradora com um aplicativo. Somos uma empresa de tecnologia fazendo seguros. E fazendo junto com vocês. Seria muita pretensão achar que conseguiríamos tocar e mudar esse mercado sozinhos. Nós precisamos do apoio das pessoas porque não queremos construir algo que seja de nós para vocês e sim da gente para a gente. Juntos. Para que possamos enfrentar os inúmeros desafios que virão pela frente. Esse movimento está começando a acontecer também em outras partes do mundo, mas ainda é recente e já cansamos de esperar até que as coisas boas cheguem ao Brasil. Então se não formos nós, quem será? Quando?

Nós acreditamos que somente a transparência poderá construir essa nossa relação de confiança para fazermos um produto a 4 mãos. Por isso, vamos manter este canal aberto para receber todas as sugestões e dividir publicamente as etapas, desafios e conquistas que estamos passando ao reinventar a forma de fazer seguros no Brasil.

Nós gostamos do nome Casuall porque ele funciona em Português e em Inglês (portanto, globalmente). Casual é algo fora dos padrões e sem burocracia, como as roupas que você usa num casual day. Além disso, casual dá a ideia de atemporal, de coisas que acontecem casualmente, como é o caso de um sinistro. Os 2 L's no final foram colocados só porque era o domínio disponível mesmo (eu disse que a gente seria transparente, haha!). Mas até achamos que deu um charme, pois o "all" acrescentou o conceito de que é para todos.

Como este texto já está muito grande, vou deixar para explicar melhor em outro post como temos planejado essa seguradora que vai fazer com que cada vez que você pense em si, esteja automaticamente pensando no próximo. Se é para fazer um bem social, precisamos fazer direito. Com esse projeto vamos verdadeiramente transformar a comunidade em que vivemos através de uma quebra de paradigma: retornar para a sociedade o lucro que seria gerado para as seguradoras através de investimento em segurança, hospitais, educação e outras causas sociais. A ideia inicial era compartilhar o porquê de começarmos isso tudo. O como faremos isso, fica para o próximo texto.

Vem com a gente! :D