De noite cantamos
Sep 3, 2018 · 1 min read

Sabemos, irmãos
que o peito é pouco,
que o pão é pouco,
que a paz é quase nada.
Ousamos, então,
com os nossos punhos,
com as nossas vozes,
com as nossas dores.
Traremos ao chão
os que hoje levitam,
que hoje se afogam
na ilusão azul.
Hoje chegaremos em casa
e antes do banho cantaremos
porque apesar de tudo
nos olhamos nos olhos.
E, antes de dormir,
cantaremos novamente,
porque as nossas canções
celebram mais um dia.
Um dia a mais sem desistir.
E, se acaso o maldito silêncio do esquecimento te assombrar,
se o cansaço abafar nossos tambores,
não desista.
Ouça de olhos fechados,
ouça de punhos cerrados.
Ouça, nos procure,
porque hoje nós estamos cantando.