Gotas de um Tempo Esquecido
Está ouvindo?
A chuva?
Um ponto. um pingo. um selo. uma chave.
Qual chave abre todas as portas de seu passado?
Qual chave te revela e te expõe?
Tira tua roupa e lhe diz nua quem é.
E te espelha sob o sol a pico, refletindo sua culpa por não ansiar ser livre.
Naquele tempo você não sabia, não é?
Enquanto alimentava o cachorro no tapete da sala, inventando ser você.
Construindo uma vida de meias verdades, sentimentos contidos, sorrisos opacos, amores inventados e dores que só doíam por dentro.
Você estava enganada, sabe agora?
Por esconder nos cantos mais escuros toda tua sede e fome de amor.
Por não ter odiado aqueles instantes onde lhe roubavam sua vontade e seu querer mais profundo, forjando aquele caminho ideal que você não queria trilhar.
Mas hoje, depois que tudo se dissipou em fumaça e vento, você pode ver.
Sente agora que nada lhe detém.
Sente que tudo é possível, nesta terra vasta, e que não há broto que esteja proibida de cultivar. Pois bem… Vá, cultive-os todos.
Fuja do que foi, do que acreditou ser real sob a máscara.
Se desfaça deste vestido poido e velho, que nunca gostou de vestir.
Deixe-se nua, sob a lua,
toque com a língua as gotas desta chuva, neste céu infinito e
sinta o sabor de ser você.
Para sempre.