One Minute
Onde está meu tempo?
Onde guardaram aqueles lindos sonhos da minha vida de menino?
Onde está aquele dia do futuro onde eu seria o que sempre quis?
Me diga….
Pois a anos vasculho a caixa do Agora, repleta de instantes, e ele não está lá.
Mas que porra é essa que fizeram dos meus sonhos?
Em qual lugar de merda esconderam aqueles meus pequeninos desejos?
Já é noite aqui e vejo, do balanço lento de minha janela, todos aqueles estranhos que deslizam na calçada lá embaixo.
Vejo-me entre eles.
E caminho, com meu corpo procedimental, no mesmo fluxo contínuo, no ritmo desta procura.
Mas estou aqui e estou lá. Como sempre foi.
Na marcha que se conduz ao próximo dia.
Nesta multidão de palhaços solitários, recitando o ápice da piada.
Da mesma piada eterna.
Sem graça.
Será tudo eterno…. ?
Será esta a ultima piada de inevitável desfecho trágico e inesperado?
Não saber é o que me desconstrói, fragmentando meus pedaços em milhões.
E talvez… infelizmente…. nunca saberei.
Pois neste minuto… nestes sufocados 60 segundos de respiração inalterada, adormeço levemente, vivendo entre a vigília e o sonho, sem saber o horário do nascer do sol.
Sem saber quando despertar.
E só…. espero.
O próximo segundo.
Que naquele instante ínfimo.
Me trará o cara que esqueci de ser.