Seu artigo me lembrou de um bate papo entre o Neil Gaiman e Kazuo Ishiguro que li anos atrás. Ela fala que gêneros são, em parte, divisões de marketing. Que o horror caiu de popularidade e vendas e foi substituído pelo thriller, mesmo que em muitos casos um conteúdo de um se passaria pelo outro facilmente. Deixo o link abaixo, se te interessar.
Não conhecia o termo post-horror. Vi o trailer de The Witch uns tempos atrás e me interessei pra valer, mesmo que eu não curta filmes de terror recentes. Acho enfadonhos. Jump scare não funcionam comigo.
Uma teoria minha (mais boba, admito) é que o terror não funciona mais porque estamos muito separados de suas situações comum. Não temos medo de andar a noite porque não andamos a noite, vamos de Uber. Não temos medo de florestas porque o máximo que vemos são árvores na calçada isoladas dezenas de metros uma da outra. Se você não tem aquilo no cotidiano é mais difícil que a cena ressoe. Celulares e vizinhos acabariam com uns +90% dos problemas dos protagonistas dos filmes.
Então se a parte de fora não assusta, entra a parte de dentro. Até hoje só uma obra me fez parar de ver porque eu suava frio e precisava de respirar e me recompor para continuar assistindo. Um episódio de Black Mirror chamado The Entire Story of You. O que me assustou foi reconhecer ali a capacidade que as pessoas tem de se machucar por ciúmes. De como é um caminho sem volta. Eu não sou de maneira alguma uma pessoa ciumenta, mas já vi situações assim o bastante para mexer comigo.
Gosto mais de filmes de terror antigos do que dos novos, como já disse. Acho que tem um charme único. E tenho visto os da Universal. Frankenstein tem a melhor cena. O monstro, agindo de forma inocente, mata uma criança. É algo que nunca seria feito hoje. Você pode mostrar vísceras de uma pessoa sendo torturada, mas mostrar uma criança sendo morta é tabu. E é a cena que mais fala do monstro no filme inteiro. É a cena que ficou comigo por mais tempo. O post-horror talvez seja mais um jeito de olhar pras coisas do que um subgênero por si só.
http://www.newstatesman.com/2015/05/neil-gaiman-kazuo-ishiguro-interview-literature-genre-machines-can-toil-they-can-t-imagine
