Heider Carlos
Aug 8, 2017 · 2 min read

Seu artigo me lembrou de um bate papo entre o Neil Gaiman e Kazuo Ishiguro que li anos atrás. Ela fala que gêneros são, em parte, divisões de marketing. Que o horror caiu de popularidade e vendas e foi substituído pelo thriller, mesmo que em muitos casos um conteúdo de um se passaria pelo outro facilmente. Deixo o link abaixo, se te interessar.

Não conhecia o termo post-horror. Vi o trailer de The Witch uns tempos atrás e me interessei pra valer, mesmo que eu não curta filmes de terror recentes. Acho enfadonhos. Jump scare não funcionam comigo.

Uma teoria minha (mais boba, admito) é que o terror não funciona mais porque estamos muito separados de suas situações comum. Não temos medo de andar a noite porque não andamos a noite, vamos de Uber. Não temos medo de florestas porque o máximo que vemos são árvores na calçada isoladas dezenas de metros uma da outra. Se você não tem aquilo no cotidiano é mais difícil que a cena ressoe. Celulares e vizinhos acabariam com uns +90% dos problemas dos protagonistas dos filmes.

Então se a parte de fora não assusta, entra a parte de dentro. Até hoje só uma obra me fez parar de ver porque eu suava frio e precisava de respirar e me recompor para continuar assistindo. Um episódio de Black Mirror chamado The Entire Story of You. O que me assustou foi reconhecer ali a capacidade que as pessoas tem de se machucar por ciúmes. De como é um caminho sem volta. Eu não sou de maneira alguma uma pessoa ciumenta, mas já vi situações assim o bastante para mexer comigo.

Gosto mais de filmes de terror antigos do que dos novos, como já disse. Acho que tem um charme único. E tenho visto os da Universal. Frankenstein tem a melhor cena. O monstro, agindo de forma inocente, mata uma criança. É algo que nunca seria feito hoje. Você pode mostrar vísceras de uma pessoa sendo torturada, mas mostrar uma criança sendo morta é tabu. E é a cena que mais fala do monstro no filme inteiro. É a cena que ficou comigo por mais tempo. O post-horror talvez seja mais um jeito de olhar pras coisas do que um subgênero por si só.

http://www.newstatesman.com/2015/05/neil-gaiman-kazuo-ishiguro-interview-literature-genre-machines-can-toil-they-can-t-imagine

    Heider Carlos

    Written by

    Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
    Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
    Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade