Suge Knight: o homem que quase matou o rap

Marion “Suge” Knight é uma figura que rondou e assombrou o cenário do rap nos últimos trinta anos. Apesar de Suge ser um apelido inspirado em Sugar Bear (ursinho fofo, em tradução livre), o empresário sempre foi o oposto disso. Perigoso, ameaçador e violento, poucas vezes uma figura importante do mercado musical causou tanto impacto negativo na história de um segmento.

Homem por trás do sucesso de Tupac Shakur, ele é possivelmente também responsável pela morte do cantor. Segundo o documentário Tupac e Biggie (Disponível na Netflix), existe uma teoria — bem fundamentada, inclusive — de que Suge teria armado a emboscada que colocou fim à vida do rapper. O motivo? Ele embolsou milhões de dólares que pertenciam a Tupac e posteriormente desmascarado.

Quando foi cobrado e ameaçado com a quebra de contrato, organizou uma equipe composta parcialmente por policiais de Los Angeles e até inimigos pessoais para forjar o assassinato do rapper como se fosse fruto de uma briga de gangues.

Ou seja: Notorious Big, adversário histórico de Tupac e apontado como mandante do crime, não teve absolutamente nada a ver com isso. Mas Suge Knight armou uma situação para que assim parecesse. Tanto que, alguns meses depois, encontrou uma forma de também mandar matar Biggie.

De uma só vez, ele forjou a suposta vingança dos amigos de Tupac e arranjou um álibi contra as acusações de ser o responsável por matar o próprio pupilo. O documentário mostra toda essa rede se conexões que investiga a participação dele nos dois assassinatos.

Snoop Dogg (que foi descoberto por Suge em 1993), concede entrevista no filme e diz que não resta nenhuma dúvida sobre isso. Para ele Suge é o único culpado. Mas assim como mostrou a série Making a Murderer, quando a polícia está envolvida em crimes nos Estados Unidos, as investigações não evoluem e se mantém obscuras. Até hoje as mortes dos dois astros são grandes mistérios para a Justiça. Mesmo com todas as provas apresentadas.

Em Straight Outta Comptom, o belo filme que conta história do grupo NWA, fica mais claro ainda o quanto Suge é uma pessoa descontrolada. Antes de se tornar um dos homens mais poderosos do rap, ele trabalhou como segurança de Bobby Brown e traficante (função que provavelmente nunca largou). Mas ele queria mais. E rondou os bastidores da fama até conseguir encontrar alguma oportunidade que rendesse milhões. E conseguiu isso quando o NWA tinha se tornado um fenômeno nos Estados Unidos.

No filme, ele já e retratado como o homem e violento e frio que pode estar por trás das mortes de big e tupac. Em uma cena, e revelada a surra que Eazy E leva ao tentar se desligar do selo de Suge.

De Dre, que também integrava o NWA, teve mais sorte. Quando notou que estava senso roubado e pediu para sair da Death Row “só” perdeu os direitos sobre o que havia criado até ali. O que não era pouco, já que a carreira solo do rapper foi um enorme sucesso logo de cara.

O mais impressionante é que mesmo com esse histórico ele conseguiu se aproximar de outros rappers e nunca tenha ficado preso por longos períodos. Pessoalmente, ele também se envolveu em diversas encrencas e crimes. É possível que tenha inclusive assassinado uma namorada, que, chamada para depor contra ele numa acusação de agressão, nunca mais foi encontrada.

Ironicamente, no início de 2015, ele foi à uma premier do filme Straight Outta Comptom em Los Angeles e se envolveu em mais uma confusão. Na saída, brigou com dois homens e matou um deles atropelado. O advogado de defesa alega que foi um acidente. Mas com o histórico dele, fica difícil convencer o júri com essa justificativa.