[CENTRAL PINHALENSE] Introdução

É uma missão. Pronto, convenci-me! “Só você pode escrever sobre isso!” — disse-me minha filha outro dia. Não sou autocentrada, a ponto de achar que não haja no meu meio pessoas tão, ou até mais capazes do que eu. Mas tenho ciência de que as vivências, ocorridas entre 2010 e 2012, que passarei a relatar, são ímpares… portanto, preciso, realmente, socializá-las.

“Central Pinhalense” é quase um plágio branco de “Central do Brasil”. Tenho a pretensão de colocar no papel a rica e expressiva voz de pessoas que, certamente, não o fariam por iniciativa própria, até por desconhecerem sua magnanimidade.

Os personagens das histórias apresentadas são reais, embora camuflados em pseudônimos. O conteúdo foi colhido em conversas, em infinitas viagens de ônibus, não de qualquer itinerário, mas, em quase toda totalidade, pelas feitas com a empresa que faz , há muitos anos, exclusivamente, o trajeto Pinhal Alto (interior) a Nova Petrópolis (centro) e vice-versa. Preferencialmente, ainda, a opção, na maior parte das vezes, recaiu pelo horário da tarde. Os passageiros que usam este ônibus com partida às 12h e 40min de Pinhal Alto e que voltam às 15h e 30min de Nova Petrópolis são uma clientela especial. Não são pessoas que vão a trabalho, como seria em horários da manhã: vão a passeio, ou para resolver uma ou outra pendência. De qualquer forma, são pessoas em uma atividade não rotineira, não presas a horários… e elas irradiam seu bem-estar, sua disponibilidade.

Passei a ansiar por estas viagens de ônibus, priorizando-as, preferindo-as em relação às feitas com carro particular. Estrategicamente, procurava sentar-me solitariamente num banco, esperando pela pessoa que viesse me escolher, sentando-se ao meu lado e brindando-me com suas histórias.

Não poderia guardar isto só para mim.

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