FELIZ DIA DAS MÃES!

Minha mãe, D. Sidônia, uma querida, octogenária, dinâmica, criativa, disposta, pueril… senhora é, também, muito impaciente. Paralelo às suas muitas (e férteis!) ideias, há a exigência de imediata execução.

Trouxe-me, há alguns meses, uma capa de almofada. Verde. Queria que eu a pintasse “oportunamente”. Queria dispô-la sobre sua cama. Levei muito a sério o caráter não emergencial da obra. Na minha pilha de prioridades, fui juntando muitas outras tarefas.

Somos vizinhas. Quando me apercebe em casa, liga, ou me brinda com inúmeras e rápidas visitas. No telefone, às vezes, ao atender, escuto “Eu só queria ver, se estarias em casa”!

Então começaram as vindas com o pretexto de saber, se a almofada já estava pronta. Não, nunca estava. A filha desnaturada que sou começou a “se tocar”! Pintaria-a, enfim, em seguida. Realmente, quis fazê-lo, mas percebi que o tecido precisaria de uma base branca, já seca, antes que eu pudesse dispor as outras cores. Foi o que fiz: a base branca.

A última justificativa conteve-a. Antes, chegou a ameaçar que a pegaria de volta. Com a pintura começada, nunca mais perguntou. Acho que esqueceu. Mas na semana que antecedeu o Dia das Mães, achei que meu tempo seria seu melhor presente: usei a manhã de sexta-feira para pintar enormes flores na almofada de D. Sidônia. Enormes para que seus olhos diagnosticados com 20% de visão pudessem enxergar.

E ela apareceu, enquanto eu pintava. E apareceu, mais uma vez, para ver, se já estava pronta. Quando, enfim, entreguei meu presente, ela aproximou-o dos olhos e disse feliz, como uma criança:

- Que lindo! Nossa, Helena, tu fazes isto tão bem! Tu deverias te dedicar só a isto e parar de dar aula!

- Por que, mãe? Tu achas que “aula eu não dou bem”?

Só deu uma risada. Mas eu entendi. Se eu parasse de dar aula, eu estaria sempre aqui.