Embarque nesse carrossel

Minha história de amor começa há oito anos quando, ainda morando com meus pais em Porto Alegre, recém-formada em Economia e buscando novas experiências, segui o conselho de uma amiga e fui morar com ela em São Paulo e, logo de cara, fui admitida para trabalhar em um banco.
Assim que comecei meu treinamento, em minha primeira semana, me interessei por um rapaz que já trabalhava lá.
 De fato, ele era um cara bonito, não o mais bonito de todos, nem um galã de novela ou modelinho magricela de 1,90. 
 Mas ele tinha um jeito que me cativava e um algo a mais que ainda hoje não sei o que. rs
 E é aqui que minha história embarca numa “montanha-russa”.
 Mas a minha começa de baixo, onde supostamente uma montanha-russa deveria começar:
 Descobri que ele era casado.
 Me odiei por algumas semanas por ficar deprimida por isso. 
 Como pude ficar neste estado por alguém que eu nem conheço tão bem assim e ainda por cima é casado? 
 Tudo bem, a gente não escolhe passar por isso! Vamos aceitar que é melhor!
 Durante um ano inteiro, a minha “montanha-russa” foi subindo lentamente, trocávamos olhares e sorrisos. 
 Ele me convidou algumas vezes para ir almoçar, mas, apesar de eu querer muito dizer SIM, acabava dizendo não. 
 Ambas as escolhas teriam consequências. Algumas boas, outras ruins. 
 E todas elas eu já havia estudado.
 Nesse meio tempo, frequentei mais baladas que em minha época de vinte e poucos anos em Porto Alegre. Consequentemente conheci mais gente.
 Segundo as más línguas, farrear é a forma mais prática e divertida de se esquecer de alguém.
 Isso até que era legal aos vinte, mas aos vinte e seis parecia mandinga pra Santo Antônio.
 Não é que eu estava me tornando uma velha chata, mas uma mulher com experiência, prioridades e independência quer muito mais do que um peito sarado e assuntos pré-moldados de conquista, só por algumas horas.
 Mas até então, tudo ia bem nesse “chove não molha” até o dia em que chego ao trabalho e descubro que ele havia pedido demissão.
 E aí eu te falo, são nesses momentos que olhamos pra trás e vemos que a vida pode piorar, mesmo quando achamos que não.
 Minha “montanha-russa” fez uma descida brusca.
 Não havia mais possibilidade de algo entre nós acontecer.
 Minhas verdadeiras amigas até que tentavam me ajudar. Mas, na verdade, queriam me convencer de que não era pra acontecer, que tudo isso ia passar, que eu iria encontrar alguém etc.
 O problema é que desde que o conheci, eu encontrei outros, gostei de outros, me relacionei com outros, mas meu pensamento sempre voltava pra ele.
 No final da semana eu não tinha energia pra sair, espairecer, tampouco pra me divertir.
 Decidi ficar em casa, embaixo da coberta, assistindo TV até que os pensamentos começaram a tomar conta e bateu aquela angústia e, então, fiz a melhor coisa que poderia ter feito: liguei pra minha mãe.
 Sempre fomos muito próximas, ela sempre esteve presente nos momentos mais delicados da minha vida, mas raramente conversávamos sobre meus relacionamentos. Até então!
 Contei tudo o que sentia para ela.
 A conversa que tivemos nos mais de 40 minutos de ligação fizeram toda a diferença.
 Mãe sabe de tudo, até mesmo quando ela acha que não sabe rs.
 Mas a parte que me tocou, e que guardo carinhosamente comigo, é:
 
 “- E ele sabe disso?
 — Não há problemas em dizer à uma pessoa o quanto tu a admira!
 — O mundo hoje está tão estranho que se declarar à alguém é visto como fraqueza!
 — Fale à ele o que sente! Isso não é pecado! Pecado é guardar esse sentimento tão gostoso por medo, vergonha ou seja lá o que for!”
 
 Pois é. Ele não sabia. Eu nunca havia falado nada pra ele.
 Ele me convidou diversas vezes para almoçar e eu nunca aceitei.
 Talvez ele achasse que eu não retribuía o interesse.
 Apesar de lançar olhares pra ele durante todo esse tempo, homens são péssimos entendedores de indiretas!
 Mas o pior, além de tudo, era sua situação matrimonial.
 Eu não conhecia a esposa dele, não sabia como era o relacionamento deles e jamais me senti no direito de atrapalhar isso. Coloquei-me no lugar dela e isso só me frustrava ainda mais.
 Comecei a pensar verdadeira e profundamente sobre toda essa história e do porquê ele me olhava tanto, sorria tanto, me convidava tanto para almoçar com ele se era casado.
 Talvez o casamento estivesse em crise. Talvez ele estivesse esperando um bom motivo pra largar tudo.
 Lembrei-me das palavras de minha mãe e decidi não guardar esse sentimento gostoso mesmo. 
 Confesso que fiquei uma semana bolando um texto que fizesse jus a tudo o que se passava aqui dentro.
 Na semana seguinte, criei e coragem e enviei um torpedo para ele.
 Assim que ele respondeu o meu “olá…” eu desabafei.
 E, neste dia, minha “montanha-russa” subiu de vez, quando ele me ligou e disse que também gostava de mim.
 Na verdade ele sempre gostou, mas achava que não era recíproco. Viu como eles são lerdinhos pra entender? rs
 Ele só não havia se separado ainda, pois a esposa era meio maluquinha e ameaçava se suicidar caso ele fosse embora. Acredita? Credo!
 É, ele não era tão feliz assim com ela. Ele só estava empurrando o relacionamento.
 Pedi, então, para que ele refletisse sobre toda a situação e o que ele realmente queria. 
 A verdade é que eu não me envolveria com ele até que estivesse separado, terminado ou o que fosse.
 Bem, ele conseguiu, de alguma forma, explicar pra esposa que eles não estavam dando certo e que queria se separar. E separaram. E ela não se suicidou. UFA!
 Algumas semanas depois, tivemos nosso primeiro encontro “oficial”. rs
 Um ano e pouco depois ele me convidou para morar com ele e, nesse dia, ele transformou minha “montanha-russa” em um lindo “carrossel”. rs
 Ainda não casamos oficialmente e nem sabemos, realmente, se vamos um dia. 
 Também não temos filhos, mas pretendemos ter. Algum dia! Quem sabe?
 Hoje, nos contentamos em cuidar dos nossos “bebês”, um bulldog e uma gata. rs
 
 A ideia que deixo é: se você quer algo, vá atrás! 
 Não tenha medo do futuro, faça o hoje. Vale muito a pena!
 Eu achei por muito tempo que não, mas ele pôde sim fazer parte da minha vida e me fazer feliz!
 
 Independente de suas escolhas siga seu coração! É ele quem te direcionará para momentos felizes!

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