Fazer o bem sem olhar a quem

Helena Warmling

Esse papo de solidariedade parece que virou moda, não é? Pois bem, muito mais do que moda isso é uma necessidade para algumas pessoas. Abrir o coração e começar a preocupar-se com o mundo ao seu redor é algo que muita gente vêm trazendo para a sua vida pessoal.

Isso se chama voluntariado. Em Tubarão-SC, vários grupos independentes vêm surgindo e mudando o cenário social da cidade.

É o caso destas mulheres, elas deixam o convívio e conforto de suas casas para proporcionar uma manhã de alegria e beleza para os idosos no Abrigo dos Velhinhos.

“Eles sentem-se muito sozinhos e quando viemos aqui, todas as terças-feiras, fizemos muito mais do que barba e unha, nós damos amor e amizade”, completa Silvia Garcia, uma das voluntárias.

O Lar Nota 10, como é conhecido, tem capacidade para 50 idosos e atualmente acolhe 45. O espaço é grande e bem estruturado, com vários quartos divididos em masculinos e femininos, quartos dos acamados (aqueles que estão doentes e não conseguem circular pelos ambientes), uma área para alimentação, cozinha, sala de estar e um lindo jardim.
Por falar em jardim, Dona Armindia tem 88 anos e é responsável por toda a beleza do lugar.
Há mais de 20 anos ela trabalha como voluntária no Lar e conta que pretende ficar lá pelo resto de sua vida.

Vale a reflexão emblemática, neste caso, contida literalmente no Dicionário Aurélio: “Ser Humano: Espécie viva dotada de inteligência e razão. Suas características físicas são: um tronco, dois braços, duas pernas e uma cabeça”. Se formos mais além, a definição figurada caberia na frase a seguir: “Ser, humano: Ter consciência dos seus atos e acreditar que um mundo melhor pode ser construído com pequenas ações de cada ser humano”.

No projeto as voluntárias fazem um dia de beleza com direito a barba e unhas dos idosos/Helena Warmling
“Aqui nós temos total controle dos voluntários. Quando surge alguém querendo trabalhar, a primeira coisa que pergunto é se ela sabe o que é voluntariado e se gosta de idosos. Não adianta não gostar, o voluntariado tem que ser feito acima de tudo com amor”, conta Mirtes Souza, a coordenadora do abrigo.

Ela ainda comenta que tiveram casos de pessoas que se candidataram, começaram a trabalhar e no primeiro dia foram embora. “O trabalho é pesado. Os idosos são teimosos, muitas vezes lhe xingam e até lhe agridem. A paciência tem que ser suprema e temos que entender que eles já estão doentes e sofrem muito com o abandono da família”, completa.

Mirtes foi voluntária sua vida toda e acredita que por mais cansativo e desgastante, o voluntariado é algo que acrescenta no espírito de cada um.
A questão do abandono é algo bem difícil de tratar com os velhinhos, Dona Iraneide de 67 anos relatou que pediu para seu filho lhe colocar lá.

“Eu vivia sozinha em casa e aqui encontrei companhia e fiz amizades, porém, o que mais me deixa triste é a falta da minha família. Eles raramente me visitam e dói muito”.

A psicóloga Carolina Aguiar diz que lidar com o psicológico frágil dos idosos não é uma questão fácil. “Eles acabam descontando o ódio e a frustração das suas vidas e do abandono nos trabalhadores. Ademais, o convívio diário e os puxões de orelha que muitos ganham contribuem para alguns momentos de desavenças”.
Carol acredita que o voluntariado tem que ser feito acima de tudo com amor. É necessário saber lidar com eles e querer fazer aquilo de coração. “Com certeza se você atinge isso se sentirá muito melhor”.

No abrigo os idosos têm espaço de lazer e um belo jardim para descansar/Helena Warmling

Ser solidário, na prática, significa desde ajudar um cego a atravessar a rua, até ajudar o próximo financeiramente e psicologicamente. O mais importante disto é o tal do “fazer por querer”. Sem pressões externas ou internas, apenas faça. Dizem que isso muda a vida de qualquer pessoa, que tal se permitir?

Segundo a assistente social, Gislaine Pereira, o perfil das pessoas que procuram ser solidárias é bastante específico.
“Geralmente são adultos aposentados ou donas de casa, que buscam no voluntariado um refúgio e uma distração. A grande maioria são mulheres e até profissionais da área da saúde, como enfermeiras e cuidadoras”.

A grande questão está na ausência de jovens no trabalho voluntário. Será que só depois de uma certa idade que nos damos conta da importância que podemos ter para outras pessoas e o quão bom é ajudar o próximo?

Uma pesquisa foi realizada para “desvendar” essa situação. Como mostra o infográfico ao lado a maioria dos jovens entre 18 e 29 anos não pratica ou nunca praticou voluntariado na vida. Isso tem como principal motivo a falta de tempo e o fato de não conhecer as instituições que ofertam vagas.
Porém, há uma esperança!
Todos acreditam que o voluntariado melhora não só a vida de quem recebe, mas também de quem pratica. E a maioria disse que gostaria de praticar, algum dia…
Entretanto, existem aqueles que já fazem isso há muito tempo e sentem o maior prazer. É o caso de Brenda Elza Amaro, ela iniciou através da empresa que trabalhava e hoje mesmo desempregada segue no caminho solidário.

“Quando estava na Alcoa sempre visitávamos escolas carentes e instituições para deficientes. Com isso fui observando a real necessidade que essas pessoas têm em receber ajuda e carinho. Uma simples conversa, um olhar, abraço apertado e um sorriso já tornam o dia dos que precisam muito melhor e não custa nada”, emociona-se.“Eu trabalhava o dia todo, estudava a noite e a cada 15 dias visitava algum lugar. Hoje não trabalho mais, porém, continuo com minhas visitas e isso além de ocupar meu tempo me faz um bem danado”.
Grupo de voluntários da empresa Alcooa/Arquivo pessoal Brenda Amaro.

Todos sabemos da rotina enlouquecedora que os jovens hoje em dia vivem, porém, como nossa amiga Carminha disse lá em cima “Se você esperar ter um tempo para fazer voluntariado, nunca irá fazer”.

Algumas pessoas fazem voluntariado indiretamente, como organizar eventos filantrópicos a fim de recolher um dinheiro e aí sim ajudar o próximo.
O Bazar da Dignidade Humana foi criado por um grupo de mulheres que incomodadas com a situação social de algumas pessoas resolveram ajudar.
Hoje elas já construíram casas, reformaram outras, doaram alimentos, compraram cadeiras de rodas e muitos remédios.

O legal do bazar é que as peças são doadas e vendidas por um preço mínimo, de R$ 3,00 à R$ 10,00 roupas básicas e R$ 50,00 vestidos de noivas e gala.
Ou seja, pessoas carentes conseguem comprar roupas boas e baratas e ainda recebem o dinheiro em forma de alguma coisa que estejam precisando.

Uma das principais carências de todos os grupos de voluntários é a divulgação do trabalho. Nenhum deles possui uma rede onde possam compartilhar suas experiências e assim, tentar agregar ainda mais “ovelhas no rebanho”.

“Jamais queremos a divulgação por vaidade ou por mera publicidade. Vejo na internet e nos meios de comunicação uma oportunidade de mostrar aos outros cidadãos que é possível e vale a pena”, enfatiza Luzimary Della Justina, do Bazar da Dignidade Humana.

Então eu decidi me voluntariar!

Assumi a responsabilidade de cuidar da publicidade e de toda a assessoria do Bazar e Abrigo dos Velhinhos ❤

É pouco, mas é uma forma que encontrei de ajudar de acordo com minha capacidade e meu tempo.

Viu como é fácil? Todos nós temos algum talento que pode servir de ajuda ao próximo.

E não é que essa moda pega mesmo…