enquanto te espero chegar
uma muralha formada de sismos
está, por definição, em constante movimento.
quando não há rota, o caminho é um olho aberto.
por seus caminhos cruzou a independência
não existe montanha que divida a américa, pensavam,
com um exército de homens comuns;
passaram os povos da terra em busca do sol
quando o poente é contrário ao mar é preciso segurar
cada último pedaço de lugar, com as mãos
investigar o cosmos quando a rosa dos ventos
aponta ao leste, invento de homem nenhum;
rolam as pedras que marcam a neve de agosto
fingem que são pegadas de bichos,
mas os bichos voam, avançam;
um pássaro que se perde, existe?
duzentos ou mais aviões diários
reencontros, lenços, placas no desembarque,
sei de cor suas datas de chegada e partida;
a estrada onde correm famílias
por dias, quilômetros, em buses baratos
porque retornar é preciso, árdua tarefa a de manter
as pessoas porque são nossas,
e alimentar, ver crescer, dar alento.
e pensar que a cordilheira nunca foi incontornável
faz parecer quase fácil a nossa inconclusa viagem.
