O Paradoxo das Festas de Final do Ano

Quando começa dezembro e as luzes de Natal pipocam nas lojas, muita gente tem apenas uma certeza: todos vão se estressar!

A carga de ansiedade e preocupação nessa época é maior do que em qualquer outro período do ano. Algumas pesquisas da área de saúde mostram que o nível de estresse do brasileiro sobe em média 80 % em dezembro! E mais, quase a metade dos pacientes internados nas UTIs por diversas doenças, particularmente com problemas cardíacos, é justamente no Natal!

Para crianças, o Natal é um acontecimento mágico. No transcorrer dos anos essa imagem muda radicalmente, passando a ser para muita gente um caos sentimental. As pessoas,em geral, ficam mais tristes do que se divertem, mas permanece aquele clima solene de harmonia. No entanto, o mais angustiante são as pessoas, terem nessa época, a obrigação de parecerem felizes, cordiais e darem abraços afetuosos…forçados. E até manterem aquela cara de paz absoluta.

Ademais, o compromisso formal de comparecer a reuniões familiares, de amigos e até no trabalho, precedidas de uma rotina infernal de preparativos, envolvendo gastos, às vezes excessivos, com comidas, bebidas e presentes.O tradicional amigo oculto, que gera expectativa, muitas vezes causa frustração pela figura inimaginável que surge pela frente de uns e outros.

Outro fator determinante de estresse intenso é o temido balanço de fim de ano. As pessoas avaliam o que conquistaram e, não raro, dão mais destaque ao que não conseguiram nos seus intentos. Esse comportamento leva o indivíduo a acreditar que o fim de ano é como se tivesse que, obrigatoriamente, encerrar um ciclo, o que é muito angustiante.

Há, também, um detalhe dentro desse clima de festas muito tenebroso — as pessoas idosas tem maior chance de perceber o Natal como estressante. Na sua larga história sempre tiveram algum fato notório de acontecimentos inesperados na época de Natal: desentendimentos entre familiares e falecimento de pessoas próximas.

Há ainda outro aspecto interessante a ser levado em consideração — é que o Natal causa maior estresse às classes econômicas A e B do que aos menos favorecidos socialmente e desprovidos de confortável situação financeira. Os pobres riem mais do que os ricos no Natal, é um fato impressionantemente constatado. Existe gente abastada que se anestesia para não perceber a noite de Natal! Com certeza que por conta da crise no país, viveremos um final de ano mais estressante do que 2015. Sem dúvida a crise será uma sobrecarga altamente perigosa para aumentar, ainda mais, os riscos do “estresse natalino”.

Janeiro/2016

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