Não foi deus, nem a vadia. Foi você

Tem várias entidades muito fodásticas em nossas vidas, mas duas me chamam muito a atenção: Deus e a Vadia.

Cara, o Senhor é muito poderoso, sempre lá do lado da galera. Lá no Senado Brasileiro, teve gente dizendo que foi deus o grande reponsável pelo impeachment da presidenta Dilma. No busão que peguei agora, uma senhora contava para ela que foi o todo poderoso quem lhe deu o sinal para sair de uma sala antes que siclana, aquela depravada, começasse a falar. Em uma entrevista que fiz há pouco, uma mulher jura que também foi o três em um que permitiu que a polícia chegasse em sua casa a tempo de salvá-la do espancamento do marido.

A Vadia também é muito poderosa, mas só usa seu poder pra fazer coisa ruim. Num grupo do Facebook que estou sobre relacionamentos, parece que ela é quem termina com uns 80% dos casamentos. Dizem por aí que a Piranha (outro nome da entidade) até separou Willian e Fátima! Também já soube que ela roubou o emprego de uma conhecida, que era 100% qualificada para a vaga.

Até me pergunto se, sei lá, a Vadia não seria uma parceira de deus, uma deusa… Eles são tão poderosos. Mas eles têm outros parceiros, um monte de outra entidade que também tá sempre aí na mesma função: os amigos ausentes, o pai, a mãe, o relacionamento que não andava bem, a correria… Todos sempre mandando MUITO bem na arte de servir de desculpa perfeita para os pobres humanos.

Já pensou se não fosse Deus e a senadora tivesse que admitir pro mundo (e quem sabe pra ela mesma) que o golpe tá rolando? Ou se, sem Deus, a mulher tivesse que reconhecer que foi ela quem chamou a polícia e conseguiu sair da agressão — e mandou o marido pra cadeia?

Imagine que doido se a Vadia se aposenta e as ex-mulheres precisam entender que seu relacionamento terminou por causa do cara, delas mesmas ou de ambos? Ou se os amigos ausentes, sei lá, ficam presentes e você tem que reconhecer que o ausente é você? Ou se o relacionamento que não andava bem parecer ok e a pessoa tiver que admitir que foi elx quem escolheu trair? Ou se a correria não colar e todo mundo se tocar que quem deixa de fazer um monte de coisa somos nós mesmos…

Imagine que doido se todas essas entidades somem e a gente começa a ter que assumir responsabilidade pelos próprios atos?

Seria bem interessante, né? Se as pessoas percebessem que elas (e os outros) fazem escolhas e essas escolhas levam a consequências, boas ou ruins.

Claro que tudo na vida se constrói sobre condições nas quais tomamos nossas decisões e, muitas vezes, essas condições restringem ou guiam nossas decisões. Mas as pessoas parecem ter uma tendência bem grande a jogar a responsabilidadde por suas escolhas em entidade genéricas, ou nos outros, seja para justificar seus erros ou para não encarar o total significado do que fazem. O problema é que essas entidades não voltam depois para lidar com as consequências…

Eu ando experimentando o exercício de encarar que sou a culpada da grande maioria das coisas que acontecem na minha vida (claro que tenho condições muito boas para tanto). Pode não ser a coisa mais prazerosa do mundo, mas com certeza faz toda a diferença na hora de tomar decisões. Porque, agora é assim: se Deus cagou, Deus resolve. Se a Vadia fodeu, a Vadia arruma. Se a Correria estragou, a Correria dá um jeito. E eu sou Deus, a Vadia, a Correria e o que mais for… Pelo menos já sei quem vai resolver tudo depois.

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