Um conto de natal (em janeiro)

INTRODUÇÃO (HISTÓRIA ANTES DA HISTÓRIA)

Uma vez estava eu e umas garotas no festival de bandas da escola pedindo músicas fervorosamente para o vocalista de certa banda que — a gente nem pode negar, o moço tinha lá seu charme. E quando se tem autoestima, eu suponho, já que eu assim como todos vocês e assim como dinheiro não tenho muito, a pessoa acha que qualquer simpatia demais seja o inicio de um flerte.

Foi aí que eu fui lá pertinho da banda e pedi uma música e o cara tocou outra completamente diferente dedicando à namorada, que até hoje não sei se é verdadeira. A palavra partiu corações das 3 fãs que ele tinha — e nenhuma delas era eu, olha lá. A palavra saiu silabicamente da boca do rapaz, lentamente e num tom mais grave: NA MO RA DA.

Mas isso não tem muito haver com a história. Vamos pra história.

NATAL SEM VISCO. E BOCAS. (AGORA É A HISTÓRIA.)

Minha família sempre foi muito grande, muito unida, um pouco sem vergonha e sem senso, de maneira que sabíamos dar uma festa. Sempre eram altas, barulhentas e escandalosas, principalmente quando colocávamos nosso grupo de samba para cantar, despertando o amor ou ódio dos nossos vizinhos. Era assim mesmo. 8 ou 80.

Durante minha doce, pura e inocente infância, eu tinha o maior foguinho no rabo (ainda sem puberdade) no meu vizinho. Alto, cabelo preto, sardinhas. Ele era melhor amigo do meu irmão, morava na minha residência com meu play 1, Metal Slug e suas cartas de yu-gi-oh e tinha de apelido panco. Vocês lembram da panco né? Tem uns pães bons e tudo, mas gostava mesmo do miojo. Era tão bom quanto o da turma da Mônica de tomate.

Hmmm que delicia desgraçar esse teu coração

Com os anos passados e a famigerada puberdade literalmente despontando em cada espinha na cara e mamilos enrijecidos, eu tive a oportunidade de finalmente provar dos lábios do moço — detalhes não — pelo amor de deus nem posso falar — Jesus me salvou dessa vida.

Aparentemente eu fui vitoriosa aos 13 anos. O panco vai ficar sem idade aqui para fins de preservação de… Caráter, eu sei lá.

Anos depois, na festa de natal de 2015, estava tudo bem entre mim e minha catuaba e meu status de relacionamento que sustentava um número negativo de namorados na vida, algo como zero. Portanto, minha catuabinha estava em minhas mãos pronta para ser desfrutada quando deu a meia noite. Daí vocês sabem (acho): A família abraça uns aos outros e deseja feliz natal pra todo mundo, mesmo, um por um. Geralmente é cansativo, mas eu fico tão entorpecida por momentos assim que minhas bochechas doem com o enorme sorriso que eu abro quando estou sendo sincera — ou bêbada. Anotem.

Sorrisão de natal

Foi nessas aí de desejar ‘feliz natal’ e não saber o que falar quando alguém faz um discurso no pé do teu ouvido desejando dez vezes mais do que você já lhe desejou na VIDA, que eu olhei para rua e lá estava ele. O próprio. Os lábios que já provei. Os 16 primeiros segundos de How Deep Is Your Love do Bee Gees já ecoaram na minha cabeça e eu só admirei de longe mesmo. De boas. Deus sabe o que faz né.

Até ele subir e invadir a festa.

Com uma garota.

Foi então que outra música do Bee Gees, dessa vez I Started a Joke, começou a ecoar na minha cabeça. Eu particularmente nunca ouvi a palavra sair da boca dele, mas o NA MO RA DA estava se repetindo ali ó, na minha cara. Aqueles lábios não só saboreavam Itaipava, como os lábios da moça também. Não somente eu, como minha prima de MG que sempre vinha para cá e sempre tinha quedinha no garoto murchamos na hora. Aí restou olhar para a namorada. Ela não é tão bonita. Eu tinha chance. (Deus perdoa os pensamento machista). (é só a relação de competição intraespecífica)(recalque é foda)

Nessas situações eu tenho maior desgosto por mim de vez em quando, porque talvez eu até teria a chance em relacionamentos na vida se fosse um pouco mais simpática. Sociável. Encantadora. Bonita, quem sabe. Ah, o que eu quero dizer é que quando a minha melhor amiga já teve dez namorados e eu nenhum, é porque eu vejo as oportunidades na cara e dou um tchauzinho. Eu nem tenho a decência de tocar e opa! Vamo lá! Não, eu acho que às vezes eu faço descaso das coisas que podem estar sendo oferecidas pra mim pelo destino. Mas como eu sou um desastre, é isso que aconteceria se eu tocasse as oportunidade

Fofinha má fofinha má vagabundaaaaaaaaaaa

E foi assim que eu tive o coraçãozinho destroçado novamente, mas foi pouco, já que eu nunca mais o via. Acabei ficando lá, na roda social com ele e a namorada. Fui fazer a falsiane e fiquei conversando com a garota sobre seriadinhos e mágica e etc, e conversei com o crush sobre a semelhança dos nossos cursos técnicos. Emprestei moletom e absorvente pra moça. Ela aprendia e ensinava passinhos de dança que naquela noite foram usados para t o d o s os estilos musicais, de funk, passa a sertanejo e parou em ABBA NEM ABBA FOI PERDOADO. Prometi a minha tia em meio a copos de cerveja e catuaba que eu só ia embora quando o sol nascesse, e ela não tinha a capacidade de repetir a frase, já que todos os momentos ela falava o quanto eu queria ver o sol se por. Ela foi embora pra casa repetindo isso. Amo ela.

O panco e a namorada se foram às 4h da manhã mais ou menos, e sobrou só um pensamento: Ela era bem simpática. Aí eles foram transar certeza.

Aí eu fiquei na festa com outros 5 gatos pingados antes de ir pra casa. /cheguei tranquilona. Usei o banheiro. Tirei a maquiagem, escovei os dentes e bebi uma quantidade desnecessária de água da torneira até reparar que poderia ser uma lady e descer até a cozinha e tomar num copo. Fiz isso, aproveitei e comi uns chocolates que estavam ali pra dar uma melhorada nessa coisa da glicose (truque antigo de uma amiga. Não sei se funciona, mas sigo religiosamente).

O natal terminou para mim oficialmente as 6h40 da manhã, quando eu fui tirar uma soneca, mas minutos antes eu estava na laje mais alta da minha casa vendo o sol nascer, passar por aqueles momentos de reflexão que consiste em caraaaaio que eu to fazendo mano e só observar o céu escuro, o azul, o laranja, o rosa até ficar clarinho. ENTÃO É NATAAAAL.

Fica aí com mais uma pérola do whatsapp/facebook das tia e tenha um feliz natal meu fio e as namoradinha?

EPÍLOGO

— tadinha da thay tava louca pra ver o sol se por né….

— é nascer, tia…….

— …….. AÉ HAHA

(texto escrito por Thay Barroso que devia ter mandado no natal mas me mandou semana passada)

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