A crise brasileira no dia a dia das empresas: o desafio de pensar (e fazer) diferente.

Além das colunas econômicas, onde tudo parece mais distante, a crise é real e impacta o cotidiano das empresas. O cenário tem sido um verdadeiro teste para os modelos de gestão. A reflexão do dia é: afinal, é possível sair mais forte dessa jornada?

"Vamos registrar, no período 2015/2016, a pior recessão desde 1901 - quando PIB começou a ser calculado."

A frase do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, dá o tom do momento para o mercado. O Brasil atravessa a depressão pós a euforia vivida nos últimos anos. E, antes de pensarmos sobre as perguntas clássicas acerca do cenário do próximo ano, vale fazer uma rápida reflexão sobre os aprendizados que essa crise traz para a estratégia e para a gestão das empresas.

Vivemos hoje uma zona acizentada de problemas. Isso quer dizer que, no geral, é difícil nos atentarmos a apenas um problema específico. Estamos sujeitos a uma conjuntura de fatores complicadores.

Em conversas com profissionais de diferentes industrias e de diferentes departamentos, percebemos alguns paradigmas que estão intrinsecamente ligados entre si. São dores do dia a dia comuns a vários segmentos. Veja se batem com a sua realidade:

1. Recessão nos investimentos

O tal fazer mais com menos é uma ordem que vem de cima pra baixo hoje como uma bigorna. Neste contexto é preciso buscar rotas alternativas para manter a performance. Revisão de materiais, insumos, fornecedores, processos… Para a liderança, uma medida necessária. Para os gestores intermediários, uma tarefa complicadíssima de executar. São questões que muitas vezes paralisam. É um cenário novo, falta tempo hábil (rotina que massacra) e, inevitavelmente também está ligado ao segundo paradigma agravante dessa crise:

2. Inabilidade em lidar com o novo consumidor

A adaptação que antes era gradativa, agora precisa ocorrer imediatamente. As empresas que não repensaram a jornada de seus clientes agora sofrem com a dificuldade em lidar com uma estratégia que precisa contemplar tantos micro momentos de consumo. E isso nos traz, finalmente, ao terceiro paradigma:

3. Medo de Errar

O medo é um fator atemporal, mas que ganha novos adeptos neste contexto. A pressão por resultados chega a apavorar gestores e equipes. A necessidade é de buscar soluções novas, mas a pressão no cenário de escassos recursos e transformação do consumidor leva as empresas a apostarem nas opções já conhecidas (consideradas mais seguras). Se a circunstâncias mudaram, será que as soluções devem permanecer as mesmas?

Estes são problemas enfrentados pela maioria das empresas e departamentos hoje em dia. A diferença aqui é o modelo de gestão empregado para lidar com os problemas. Olhar para eles de maneira crítica é o ponto da virada.


Workshop para mapeamento da jornada de consumo

É preciso pensar que não se trata apenas de discutir sobre sobre como vamos atravessar essa crise. Mas sim sobre como queremos nos reerguer após ela. Vamos, enfim, sair de tudo isso melhores?

Falamos lá no início de aprendizados. E com segurança dizemos que um dos grandes aprendizados que essa crise pode trazer é ensinar a sua empresa a pensar os problemas de maneira diferente.

É possível aproveitar este momento para corrigir falhas já conhecidas de longa data, para ajustar estratégias sob uma nova perspectiva. Quando o barco atravessa uma tempestade, a tripulação toda topa/precisa trabalhar em sinergia. Nós já comprovamos em nossos projetos que existe um tripé estratégico sobre o qual é possível se apoiar neste momento (e que pode sustentar a empresa por muito tempo). Veja:

Colocar o consumidor no centro das discussões

Parece óbvio, mas quando trazemos para o dia a dia talvez não seja tão óbvio assim. Não adianta pensar só na sua eficiência operacional. A ânsia provocada pelos paradigmas que citamos acima leva os times para o caminho oposto: olhar somente para dentro. É preciso pensar consumer first. Após entender porque você pode ser relevante para o consumidor aí sim você passa a se preocupar com o como viabilizar.

Diminuir o gap entre as equipes e buscar integração

Muitas empresas funcionam como aquipélagos: Cada departamento ilhado nas suas próprias verdades. Buscar integração para resolver problemas além de promover agilidade, geralmente revela uma otimização na estrutura de custos e recursos. Além do compartilhamento de informações os projetos, se bem geridos, podem ganhar tração com investimentos possíveis de serem viabilizados. E, para dar certo, essa é uma bola que precisa ser uma diretriz da liderança.

Começar do viável

Ao repensar os problemas a ordem é simplificar. Nós temos uma tendência natural em complicar as coisas . Simplificar um projeto ou uma iniciativa deve ser um exercício diário. Qual é, afinal, o mínimo necessário para começarmos? Isso ajuda com a agilidade da execução e redução de riscos a nível de investimentos e operação.

O desafio de colocar isso em prática está na sua capacidade de se abrir a novos formatos.

Como dissemos lá atrás, o cenário de curto e médio prazo não é simples. A palavra de ordem é assertividade. Talvez seja essa a razão que faça com que o Design de Serviços seja tão relevante neste momento.

Aqui na WHF, nós utilizamos o pensamento do design para resolver os problemas. Esse jeito de pensar está ligado à assertividade porque está ancorado em valores muito claros (bem próximos do tripé estratégico que mencionamos) e está embasado em um processo estruturado para ser ágil e de máxima eficiência.

Processo Centrado no Usuário by IDEO — Visão em 3 Etapas da WHF

Isso significa que nós ajudamos times a encontrarem novos caminhos sem dar voltas desnecessárias. O grande desafio das empresas para os próximos meses é entender onde concentrar seus esforços e sua capacidade de execução. Nós colaboramos nesse sentido.

Então vale “arriscar” não passar simplesmente por essa crise. O cenário pede adaptação e um dos grandes aprendizados que isso traz é a possibilidade de aprender a olhar os problemas de maneira diferente. Aproveite a proximidade do último trimestre do ano para começar a pensar a sua estratégia de gestão para 2017 — talvez o design de serviços possa te ajudar. Como diria o economista Ricardo Amorin: “Nunca desperdície uma boa crise”.


Fabricio Gimenes é sócio-diretor da WHF | SERVICE DESIGN.

Através do Design de Serviços a WHF ajuda empresas de todos os tamanhos e mercados a identificar onde, quando e como podem ser mais eficientes em seus negócios e mais desejáveis para as pessoas.

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