Relaxamento obrigatório
Estudei a maior parte da vida num colégio católico em Fortaleza, daqueles bem com sobras de ditadura militar.
Lá tinha por exemplo, o momento do “relax”, onde depois do recreio ou antes do começo da aula você era meio obrigado a passar alguns minutos de cabeça baixa na carteira, enquanto tocava na caixa de som uma música, por assim dizer ~relaxante.
Tá, é muito problema de gente branca reclamar de ter um momento pra relaxar, mas sei lá, o RELAX nunca foi super RELAXante pra mim. Acho que era a coisa de não escolher relaxar, eu simplesmente era forçada a relaxar, e, isso, assim como tudo, tinha lados bons, mas ás vezes era só ruim mesmo.
Nesses tempos de guru de coque vendendo autoestima em post patrocinado pelo Facebook , é importante a gente lembrar que se o relaxamento é obrigatório, ele vira só mais uma coisa que A GENTE TEM QUE.
Eu já tenho que trabalhar, pagar conta, pagar impostos mais enigmáticos e enfadonhos que o Mister M., aturar um mundo machista pra caralho, cheio de Rafael Braga preso /Temer presidente, e ainda sou obrigada a relaxar?
A, sai pra lá! Minha vida é minha festa e vou me desesperar se tiver a fim.
De alguma forma, precisamos aceitar que nem sempre a gente quer relaxar. Ou pelo menos, não do jeito tradicional.
Tem vezes que relaxar vai significar meditar ou pegar um sol, mas outros dias, a sensação de passar o dia inteiro jogado em casa, vai ser a mesma coisa que dar um abraço em Buda.

