Caos.

Heloísa Ramalho.
Jul 21, 2017 · 1 min read

Seu blues e seu cigarro aceso. Suas inseguranças e a sua arrogância. Sua voz pedindo para que eu parasse de pegar em seu cabelo. Seu medo de se mostrar, de se abrir aos anseios. Você me destruiu como se tivesse apagado o cigarro em meu umbigo. Você colocou blues pra tocar e ele soava como um metal. Você transformou tempos bons em ruínas e apagou a luz sabendo que eu tinha medo do escuro. Você deu vida a minha esquizofrenia. Riu da minha falta de ar. Me fez queimar aquelas cartas e ainda voltou para saber se estava tudo bem — e estava, sem ti tudo estava bem. Tudo estava calmo, tranquilo, até você resolver voltar com suas palavras e encantos, achando que eu me renderia novamente. Brigou comigo porque comecei a fumar. Disse que aquilo não passava de uma chamada desesperada por atenção. Mal sabe que comecei por você, escutando o mesmo blues, que mesmo calmo, era barulhento demais pra mim.
Eras um monstro. Sua sorte que ainda me encorajo a te abraçar, ainda ouço sua voz e ainda te vejo tocar o violão; mas nunca mais farei você transformar essa pequena garota em caos — mais uma vez.

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