Garoto.
Ei,
isso é mais uma carta á você, garoto. Faz tempo que não pergunto como foi seu dia, ou se você está bem. Faz tempo que não te dou um abraço ou vejo teu sorriso quando me olha; mas, apesar de tudo, apesar de estar distante mais uma noite, sei que estás aqui. Bem aqui. Estás preso aqui. Há algo que me diz que você não conseguirá sair daqui, pois aqui é sua casa. Esses são os teus cômodos, desde que derramaste o seu amor por todo o espaço.
É aqui que eu te sinto. É aqui que eu lembro que você existe, quando olho para a cidade da varanda — quando estás presente, tu sempre me dizes que queria ter essa vista. A real é que eu queria sempre ver o teu rosto. O rosto mais bonito, acompanhado do sorriso mais bonito, do cabelo mais bonito, da barba mais bem feita, mesmo que seja por fazer.
A cada dia que passa, garoto, eu aprendo. Eu aprendo o que é amor. Eu aprendo o que é estar distante e não estar. Você mora aqui, essa é a sua casa. Sei que você se sente seguro, sei que sabes que sempre haverá espaço. Sei que sabes que a porta vive aberta, para ir e vir. Você vem e vai, garoto.
Mas você nunca abandona. Você nunca vai embora de vez. Essa é sua casa. Fiz do meu coração, sua casa. Te tenho dentro de mim; do meu peito e da minh’alma.
