“Isso é tão Black Mirror”

A frase do título desse texto foi pensada por mim quando li a justificativa do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar do Espírito Santo ao fechar a terceira ponte para evitar mais um suicídio ao invés de fazer um “pare e siga”. Eles não queriam que a vítima fosse exposta nas redes sociais e grupos de aplicativos de conversa por quem passava por ali.

O fato de pessoas transformarem o sofrimento alheio em algo espetaculoso me lembrou o episódio “Urso Branco” da série “Black Mirror” original da Netflix em que pessoas pagam para ver o sofrimento de uma mulher como um grande espetáculo. Infelizmente, isso não é a vida imitando a arte, ou algum tipo de premonição, é algo que acontece todos os dias em vários lugares do mundo, muito antes do seriado existir, e a polícia capixaba evitou desta vez.

Na era da informação em tempo recorde, até o sofrimento alheio se tornou algo a ser admirado e repassado nas redes sociais como se fosse realmente um show. Perdemos totalmente a capacidade de respeitar (será que um dia tivemos essa capacidade?) até mesmo uma doença grave como a depressão em detrimento de “likes” e “views”. Vivemos numa sociedade que já é Black Mirror há tempos e isso não é nada bonito.

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