Jornalismo também censura

Sou acadêmica de Comunicação Social — Jornalismo. Meu grande amor durante todo o ensino médio. Claramente fiquei com medo de me decepcionar com a escolha. Porém a minha grande decepção não foi com o curso, nem com a universidade, mas com algumas pessoas que o compõem.

Você, caro leitor, que não cursa jornalismo, deve imaginar que os estudantes estão abertos a debates e a conhecer todas as facetas de um mesmo caso, visto que esse é o papel de um jornalista. Sinto te informar, mas a grande maioria não é assim. Pode até soar estranho, mas a realidade é de muita censura.

Não há espaço para se posicionar contra a pauta da maioria. Um mísero “eu não concordo com você” já é o suficiente para sofrer retaliação ou até mesmo ser excluído do meio. A censura é tamanha que conselhos como “evite falar sobre certos assuntos para não arrumar briga” ou “é melhor ficar quieto” se tornaram comuns.

Ora, o jornalista não luta tanto pela liberdade de expressão e de imprensa? Pois bem, ele realmente luta, mas infelizmente alguns futuros profissionais da área acham que só a opinião deles é válida e que todo resto é burrice e não merece respeito. Esse tipo de atitude costuma vir de quem diz pregar diversidade e querer igualdade. Que diversidade é essa que só pode pensar de uma maneira?

Aprendam, colegas de faculdade, pregar diversidade e não deixar as pessoas ao seu redor pensarem diferente de você é hipocrisia. Pior ainda é impedir que alguém fale só porque ela pensa diferente. Ouvir o contrário do seu pensamento pode ser enriquecedor, nem que seja para fortalecer o posicionamento prévio.