
O romance que me é esperado
Em todo filme romântico que se preze, existem dois mocinhos que formam um casal. Há inúmeras possibilidades de como a história vai ser contada. A maioria delas tem alguém ou algo no meio que quer atrapalhar, seja uma outra pessoa que forma um triângulo amoroso; ou mesmo fatos, como distância e classe social que separam. No final das contas, os dois sempre vão estar juntos. Mas o "juntos" não quer dizer apenas fisicamente; algumas vezes, um deles morre e ficam juntos para sempre, num espacinho da mente chamado "memória".
Ok. Até aí você já deve saber. Quem nunca assistiu a um filme romântico, não é mesmo?
O ponto a que quero chegar, na verdade, está no sentido de como é retratado um relacionamento em que o amor é a base de tudo.
Cá entre nós: eu nunca gostei muito de filme romântico. Uma comédia romântica aqui e ali são, pelo menos pra mim, mais reais e aceitáveis - agradeço a tio Shakespeare por ter sido um dos primeiros a rabiscar essa nova roupagem do romance.
Às vezes - a maioria - os filmes românticos me trazem uma impressão de estar sendo enganada pela definição que fazem de amor. As pessoas são muito mais do que é retratado ali. A complexidade da personalidade de uma pessoa chega a níveis bem maiores: é necessário também entender o convívio social, a educação, o meio em que vive... Quando você conhece tudo isso, vive com aquela pessoa e descobre seu mundo, consegue descobrir tudo o que ela representa.
Conhecer alguém profundamente é uma descoberta incrível. Vale a pena se apaixonar ao ponto de enxergar de forma cristalina o interior do outro. Vale muito a pena também exercer a empatia mais forte do mundo e entender o porquê de algumas chateações e indignações que o outro sente em dias que não estão tão coloridos assim. Ser amigo, ser confidente, ser caridoso e generoso. Amar uma pessoa vai muito além do que os filmes nos mostram. Isso tudo é sobre respeito, confiança... ainda vai mais além: é sobre amor próprio.
