O gênero “possível”

O mapeamento da violência LGBT no Brasil é ainda mais assustador, porque as mulheres gays denunciam menos?

No último relatório apresentado em 2013 pelo Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, extinto no interino mandato Michael Temer, divulgou que apenas 16,8% das denúncias vinham de pessoas, biologicamente tidas como, do sexo feminino. Enquanto 73% vinham do sexo masculino. As lésbicas e as transexuais representariam, em teoria, o quarto/quinto grupo de risco.

Por último, deve-se dizer que a as categorias “homens” e “mulheres” é uma aproximação […] não engloba em sua totalidade a diversidade da sexualidade e isso pode se configurar como uma limitação. — Relatório de Violência homofóbica no Brasil

Considerando os 4,8mil assassinatos registrados no mesmo ano, não é de se estranhar que, ainda, a violência tenha graus de intensidade, e afetem, indiscutivelmente, mais a uns do que outros.

As mulheres, e todas que se identificam ao feminino, não denunciam, mesmo contando com as leis que asseguram, em tese, seus direitos. Parte, sim, por medo da represália do agressor, mas também por conta das delegacias masculinizadas.


Os agressores

Segundo o DATASENADO/2013, 65% das agressões vem do parceiro, 13% por ex-parceiros e 13% por familiares. Sendo que do total, 47% das vítimas prefere por não informar seu envolvimento com o agressor.

“Corretivo”

De todas as formas de apagar a identidade lésbica, o “estupro corretivo” se mostra mais odioso, porque consiste em uma prática criminosa na qual o agressor acredita que poderá mudar a orientação sexual da lésbica através da violência sexual. — Ticiane Figueiredo para o Blogueiras Feministas.

Roselaine Dias, coordenadora da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), diz que o estupro coletivo ainda é um gráfico ilegível, mesmo para o poder público. As vítimas apenas são conhecidas quando há a contaminação pelo vírus HIV, e precisam recorrer ao tratamento.

No último balanço semestral do Disque 100, estimou-se que 6% das denúncias de estupro se enquadram nesse caso.


As vítimas

O Brasil é o quinto em feminicidios anuais.

A mulher negra morre duas vezes mais do que a mulher branca. A mulher rica sofre violência por igual, mas a mulher pobre ainda morre duas vezes mais.

Dos 15 aos 35, por vinte anos as mulheres são alvo de toda violência de gênero. 48,8% morre por arma de fogo. 27% em casa e, assustadoramente, 25% dentro de hospitais e postos de saúde.

Leia Maria da Penha e as mulheres trans

A lei Nº 11.340, de 7 de Agosto de 2006, conhecida com Maria da Penha, inclui mulheres lésbicas, trans e bissexuais que sofrem violência doméstica e familiar. Mas ao assegurar que estas mulheres tenham base legal é apenas um início.

Nas delegacias, os agentes de segurança são:

Casos como da adolescente, vitima do estupro coletivo, que foi desacreditada pela delegacia, da jovem Laura de Vermont, morta após ser espancada por PMs da zona leste de São Paulo, de Cláudia Silva Ferreira, que teve o corpo arrastado por 350 metros por policiais no Rio, são retratos claros de uma segurança masculinizada que, em grande parte, é inexperiente e despreparada.

As Delegacias da Mulher são limitadas e despreparadas.


Os centros de apoio a mulher precisam de assistentes sociais antes de força, de psicólogos antes de patentes e mais feminilidade ao trato antes de ações sistematizadas.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Hen Catelan’s story.