A carta de Tim Cook

O presidente da Apple, Tim Cook, veio a publico falar sobre um assunto muito importante a todos nós, por meio de uma carta exposta no site da Apple. Você pode acessá-la aqui, mas encontra-se atualmente apenas em inglês. Cook falou sobre segurança, privacidade na rede e liberdade; expôs um caso sério que a Apple vem enfrentando ao opor-se a uma demanda do governo dos Estados Unidos, mas deixou algumas coisas “no ar”…


Para início de conversa, penso que não é à toa que uma empresa de porte da Apple venha a público falar sobre um problema do qual vem enfrentando e que interfere diretamente nos interesses globais de segurança e liberdade individual. Ora, a Apple, mais do que qualquer outra empresa, é pioneira em criar necessidades e fazê-lo “refém” de seus produtos e serviços, oferecendo algo gratuito primeiramente para depois cobrá-lo mais à frente. Falo sobre a necessidade que você tem de comprar todos os produtos da empresa para conseguir uma boa conectividade e interação dos seus aparelhos. Lamento dizer, mas isso não é liberdade, e a Apple jamais se dispôs a deixar este modelo de negócio, e não vai deixar até o momento em que forças maiores se opuserem.

O que quero dizer é que a Apple não é uma santa protetora dos direitos individuais. Embora, na teoria, saibamos que a empresa de tecnologia vem, a cada atualização de seus softwares, em busca de oferecer maior segurança e privacidade para seus usuários, quem tem um iPhone (ou já teve) sabe que suas limitações neste quesito são muitas; em algumas versões antigas do iOS, por exemplo, era possível fazer jailbreak com apenas um clique em um site. Uma coisa é certa, Apple, esteja atenta: a comunidade hacker SEMPRE vai estar à frente dos seus engenheiros.

Neste sentido, considero a carta de Tim Cook apenas mais um de seus vários artifícios de marketing. A Apple tem se tornado uma empresa pouco palatável aos olhos do grande público ávido por tecnologias úteis; seus produtos têm oferecido pouca inovação, serviços de quase nenhuma valia mas que empregam maior valor ao produto final e… bom, sabemos quanto custa um iPhone, não é mesmo? Portanto, esta carta tem, ao meu ver, dois propósitos:

I — Elucidar como a Apple está interessada na SUA segurança: uma vez que a empresa quer dominar sua vida e fazê-lo escravo de seus produtos e servo da obsolescência programada a qual impõe a seus consumidores, é interessante que ela e apenas ela tenha acesso real aos seus dados. Ora, você nunca se perguntou para onde vão todas as suas informações que foram enviadas para o iCloud? A Apple as tem e faz bom uso disso; seu valor de mercado vem quase que mais da metade a partir das informações que você a fornece. No final das contas, o que a empresa tem medo é de perder o monopólio das suas informações, como se aquilo tudo pudesse ser vendável no mercado(e realmente é), e ao passo em que as informações sejam “compartilhadas”, ela perde o valor de sua exclusividade.

II — Manter a boa aparência: a Apple veste-se de uma roupa limpa e bem passada, mas que no fundo, foi usada para disfarçar-se em ações criminosas. A empresa não tem pudor em cobrar dos consumidores que paguem os olhos da cara em seus produtos, muito menos de que sejam escravos de seus serviços interconectados, muito menos prezam pela sua opção de manter-se em um sistema por mais tempo do que dois meses, forçando-o a atualizar seus aparelhos e, em pouco tempo, torná-lo inutilizável. A carta sobre segurança é travestida de um tom “Olha, esteja atento às NOSSAS atualizações, pois prezamos por sua segurança. Faça o que mandarmos; esteja ao NOSSO lado, somos o lado certo.”. E pelo que conheço dos fans da Apple, eles estarão lá empunhando armas de fogo logo logo para defender a empresa que os faz servos.

Finalizo este texto com uma proposta: busque alternativas de segurança a partir das comunidades independentes. Elas existem aos montes; softwares de criptografia sem custo algum são oferecidos na internet, em fóruns, não é algo difícil de se conhecer e implementar no seu dia a dia. De uma coisa esteja certo: TUDO que você faz no seu dispositivo e computador é monitorado, geram-se logs de comportamento, as empresas têm algoritmos para analisá-los e, a partir disso, definir estratégias de mercado e imposição de serviços. A única forma de livrar-se disso é constituindo uma rede baseada em princípios básicos e a partir de softwares desenvolvidos em comunidade, de código aberto, aos quais possam ser analisados uns pelos outros, criticados e corrigidos em tempo mais ágil do que uma empresa de porte internacional.

Não confie na Apple; não confie na Google; não confie em nenhuma empresa de tecnologia.

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