Na trilogia original, o dualismo continua, mas o fabricado, o falso e o danoso é representado com associação profunda ao mecânico, marca da época, reminiscente da própria revolução industrial e criação do cyberpunk de William Gibson na trilogia Sprawl, por exemplo. No período do império, Darth Vader personificava isso através de mais que suas ações, que podem ser dissecadas e até justificadas partindo de uma análise ambiental e psicológica de seu personagem durante as duas trilogias. Porém, sua identidade visual representa a maldade encarnada, passando da cor de suas roupas aos mais diversos tipos de próteses mecânicas. Em um dos diálogos mais famosos de Return of the Jedi, Obi Wan Kenobi tenta dissuadir Luke de buscar bondade em seu pai, justificando que seu velho amigo havia se tornado “mais máquina do homem, corrompido e mau”. A relação entre a perda da humanidade para a máquina invoca aspectos bastante profundos da humanidade, passando pelo processo da “desumanização”, representada ali em Vader. Essa “desumanização” implica na perda do livre arbítrio e da suposta bondade inata que a humanidade teria, de acordo com alguns círculos filosóficos. A própria Estrela da Morte também representa a audácia humana em copiar e distorcer elementos naturais em causa própria, sendo finalmente destruída pelo herói num momento de encontro com a natureza (ou a Força), quando Luke desliga o computador (tecnologia robótica) de sua X Wing e decide arriscar o tiro certeiro com base na intuição (a conexão com o natural, o intocado).
Sobre The Force Awakens: Ótica
Gabi
82

Meu deus, que parágrafo sensacional.

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