Mudança possível

Henrique Bueno
Aug 9, 2017 · 4 min read

Muita gente me pergunta se é mesmo possível mudar esse ou aquele hábito. — Afinal de contas, questionam, por que é tão difícil deixar de fazer algo que sabemos que nos prejudica, ou começar a fazer aquilo que há anos está na nossa “boa e velha” resolução de ano novo?

Todos nós conhecemos alguém, próximo ou não, que mudou algum hábito. Mas nem sempre esse conhecimento é suficiente para nos convencer de que também somos capazes. É como se mudar dependesse de qualidades especiais, presentes apenas em poucas pessoas.

No meu ensaio Jogo da vida, iniciei uma série com o objetivo de auxiliar as pessoas a (re)descobrirem e, acima de tudo, viverem seus sonhos. Nessa série vou compartilhar diversas descobertas e intervenções da Psicologia Positiva que podem nos auxiliar nessa missão. A primeira coisa que precisamos mudar, entretanto, é nossa crença sobre mudança.

Durante muito tempo acreditava-se que o processo de mudança estava diretamente relacionado a força de vontade. Essa presunção validava a crença comum de que a mudança somente era possível aos indivíduos donos de invejável força de vontade e determinação incríveis. Éramos, portanto, culpados não apenas por não mudar, mas também por não ter força de vontade ou determinação suficientes.

Essa presunção começou a mudar quando Roy Baumeister publicou, em 1998, suas descobertas.

Em um de seus experimentos, Baumeister reuniu um grupo de estudantes em uma sala contendo duas travessas, uma com cookies de chocolate (recém assados, com aroma convidativo) e outra com rabanetes frescos (nada convidativos). Alguns participantes foram convidados a degustar os cookies e outros os rabanetes.

Em seguida todos os participantes receberam um quebra-cabeça geométrico insolúvel. Aqueles que haviam comido os rabanetes (e que, portanto, resistiram aos chamativos cookies), desistiram da atividade após 8 minutos, enquanto os “sortudos” que comeram os cookies continuaram tentando por 19 minutos, em média. Esse cenário indicava que a força de vontade era um recurso limitado, já que aqueles indivíduos que precisaram dela para não comer os cookies tiveram pouco desse recurso no momento de resolver o quebra-cabeças.

Vários outros estudos subsequentes confirmaram as conclusões de Baumeister. A força de vontade não é algo infinito, nem mesmo uma qualidade de uns e não de outros. É um recurso finito, presente, mas escasso, em cada um de nós. Essa é a razão de começarmos dietas e desistirmos no meio do caminho.

Como então podemos criar novos hábitos sem depender da força de vontade ou da determinação?

Charles Duhigg, embasado em centenas de estudos e experimentos, sugere em seu bestseller “O poder do hábito”, a criação de rituais, através dos quais a conduta desejada seja repetida por um intervalo de tempo mínimo, até que se torne um hábito. Segundo ele bastariam 21 dias de repetição do comportamento para que o mesmo se tornasse um hábito.

O livro é excelente e indico a todos que estejam passando por dificuldades em criar novos hábitos. Pessoalmente, costumo suspeitar de números mágicos, como 21 dias, 7 hábitos, ou 1 segredo; mas por experiência própria posso dizer que a definição clara de rituais e sua repetição por algum tempo, a depender de vários fatores, é a maneira mais poderosa de criar hábitos saudáveis ou mudar hábitos indesejados.

Para quem quiser começar, recomendo que se lembre do que falamos no ensaio Efeito borboleta. Vá com calma! Não tente mudar seu mundo inteiro de uma única vez. Escolha aquele hábito mais relevante e comece devagar. Crie um ritual e repita-o por 21 a 30 dias. Somente após se sentir confiante de que a conduta se tornou habitual, mude para o segundo ritual, e assim por diante. Mude uma coisa de cada vez e, assim, mude seu mundo.

Já que tocamos no assunto, tenho datas confirmadas para meu próximo workshop: Coaching para Mudança. Nele apresentarei de forma simples e interativa uma conversa de coaching aplicável a quase todas as situações da sua vida: em casa, no trabalho, em família.

>> Saiba mais e garanta seu ingresso no link: bit.ly/henriquebueno

Até lá!

Written by

Inspirar as pessoas a (re)descobrirem e, acima de tudo, viverem seus sonhos. Fundador do movimento Desenhando Vidas. Coach. Life design, Psicologia positiva.

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