O começo de tudo: A Origem da Psicologia Positiva

Agora que definimos felicidade e identificamos quais são os seus principais componentes, acho importante contar um pouquinho de como tudo começou e para onde essa ciência está nos levando. Recomendo a leitura até para quem não gosta de história, mesmo que apenas para conhecer um pouco sobre as principais pessoas por traz dessa revolucionária ciência.

Origem

Formalmente a psicologia positiva passou a ser tratada como uma nova área da psicologia apenas em 1998, quando Martin Seligman, considerado seu fundador, a escolheu como tema para o discurso de posse de seu primeiro mandato como presidente da Sociedade Americana de Psicologia (American Psychological Association).

Na primeira frase de seu livro “Felicidade Autêntica”, Seligman registra, consternado, em relação a psicologia do século XX, que:

“… por toda a última metade deste século, a psicologia esteve consumida com um único tópico — doença mental”

O termo Psicologia Positiva não é novo. Seu primeiro uso é atribuído a Abraham Maslow, no livro “A theory for Human Motivation” publicado em 1954. Neste clássico da psicologia, Maslow dedica todo um capítulo ao assunto, entitulado Toward a more positive psychology (em direção a uma psicologia mais positiva), registrando a importância do estudo, também, das qualidades e virtudes humanas, essas sim capazes de proporcionar uma vida mais feliz e plena.

Desenvolvimento

De lá pra cá uma verdadeira revolução está a pleno vapor. Estudos, experimentos científicos e pesquisas estão acontecendo nas melhores universidades e laboratórios de todo mundo sobre os mais diversos assuntos ligados a psicologia positiva. Centenas de artigos científicos são publicados regularmente e dezenas de livros lotam as prateleiras das livrarias (que ainda confundem o conteúdo com auto-ajuda).

A primeira cúpula de psicologia positiva aconteceu em 1999 e a primeira conferência internacional em 2002. A Universidade da Pensilvania foi a primeira, sob a batuta do próprio Seligman, a desenvolver um programa completo de especialização na matéria, o MAAP (Master of Applied Positive Psychology), e de lá pra cá milhares de cursos se espalham por todo o mundo, inclusive em Harvard, London University, Berkeley, e muitas outras. O Curso ministrado pelo meu professor Tal Ben-Shahar tornou-se o mais popular da história de Harvard.

A Associação Internacional de Psicologia Positiva (IPPA), embora recente, já conta com milhares de membros em mais de 80 países diferentes. Sua missão inclui: (1) “aprofundar a ciência da psicologia positiva em todo o mundo” (2) “trabalhar para a aplicação efetiva e responsável da psicologia positiva em diversas áreas, como psicologia organizacional, aconselhamento e psicologia clínica, negócios, saúde, educação e coaching “, (3)” fomentar a educação e a formação no campo “.

E não para por aí. Os sistemas educacionais da Inglaterra e Australia passaram recentemente por uma longa revisão para incluir a formação de seus professores em psicologia positiva e a criação de intervenções positivas para a educação de crianças e jovens mais resilientes, engajados, seguros e emocionalmente saudáveis. O exército americano implementou, a um custo milionário, programa desenvolvido por Martin Seligman a todos os seus milhares de soldados, baseado na evolução do conceito do transtorno pós-traumático para o crescimento pós traumático.

Cenas do próximo capítulo

Importante deixar claro que o estudo da felicidade e dos comportamentos positivos existentes nos seres humanos não é nada novo. Aristóteles e outros filósofos antes dele falavam sobre felicidade e sobre os princípios da boa vida. Doutrinas milenares tratam de diversos assuntos semelhantes ao estudo da psicologia positiva. A diferença está na metodologia científica aplicada, onde cada premissa é empiricamente confirmada ou descartada.

Os avanços obtidos por essa nova forma de estudo da felicidade colocam essa ciência ao lado da indústria da tecnologia entre as vitrines deste século, onde os indivíduos estão cada vez mais focados em encontrar propósito e a conquistar uma vida mais plena e realizada. O historiador e estudioso Yuval Noah Harari, em seus surpreendentes livros “Sapiens” e “Homo Deus”, direciona vários capítulos para explicar como as futuras gerações provavelmente aplicarão cada vez mais tempo e recurso na exploração do fascinante tema proposto pela psicologia positiva.

Continuem me acompanhando para saber mais, ou entrem em contato.
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