O infarto da alma.
Depressão, ansiedade e estresse têm crescido nas grandes metrópoles. O que isso tem a ver com as mudanças comportamentais da contemporaneidade?

“A sociedade disciplinar de Foucault, feita de hospitais, asilos, presídios, quartéis e fábricas, não é mais a sociedade de hoje. Em seu lugar, há muito tempo, entrou uma outra sociedade, a saber, uma sociedade de academias de fitness, prédios de escritórios de genética. A sociedade do século XXI não é mais a sociedade disciplinar, mas uma sociedade de desempenho.”
— Byung-Chul Han, Sociedade do Cansaço.
O século XXI é marcado por diversos fatores, como as inovações tecnológicas, o surgimento dos mais variados meios de comunicação, o boom de redes sociais e inúmeros avanços científicos. Entretanto, fica também claro nesse período o crescimento da ocorrência de distúrbios psíquicos, tais como a depressão, a ansiedade e o estresse.
Em um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) levantou dados alarmantes sobre a frequência de distúrbios psíquicos na contemporaneidade: na última década, houve um aumento de 15% de incidência de doenças mentais sobre a população; mundialmente, 322 milhões de habitantes sofrem com a depressão e outras 264 milhões são portadoras de algum tipo de transtorno de ansiedade — ambas as taxas concentradas nas Américas. No âmbito global, há um cenário marcadamente progressivo de modernização do trabalho. As relações interpessoais e novas formas de entretenimento abrigam uma notável dubiedade decorrida da onda crescente de perturbações psicológicas.
A maior cidade da América Latina, São Paulo, é um ícone representativo da explosão urbanística contemporânea — em todas as suas contradições. Em seu lema, Non dvcor dvco, ou seja, “Não sou conduzido, conduzo”, reside a metonímia de uma metrópole com mais de 12 milhões de habitantes orientada por uma rotina intensa de movimentação vital e produção econômica.
Em convergência cronológica com seu fenômeno de crescimento, a “terra da garoa” garantiu para si um infame título: o de cidade com o maior índice de perturbações mentais do mundo. De acordo com o relatório São Paulo Megacity Mental Health Surve, realizado pela mesma OMS no ano de 2013, 29,6% dos paulistanos são afetados por algum tipo de distúrbio psíquico. A ansiedade lidera, acometendo 19,9% do grupo pesquisado.
Em Sociedade do Cansaço, o filósofo coreano Byung-Chul Han é responsável por desenvolver uma perspectiva patológica das transformações de nossa época. Esta linha de raciocínio é recorrente no pensamento contemporâneo, voltando-se ao entendimento da impossibilidade de dissociação entre as estruturas psíquicas (internas) e as sociais (exteriores). Assim sendo, é coerente assimilar uma relação entre a moderna, veloz e notavelmente produtiva São Paulo atual e sua liderança quanto a essas problemáticas psicológicas. Bem como para todo o mundo, destarte.
A gritante recorrência das crises psíquicas, tanto na capital paulista quanto no espectro global, motivou um inevitável questionamento da eficiência dos comportamentos e convenções genericamente estabelecidos pela sociedade contemporânea. Será que a rotina frenética, progressiva e ininterrupta de estudos, trabalho, consumo e absorção de informação que marca o indivíduo do século XXI o encaminha para a máxima realização pessoal? Não seria também a responsável por aquilo que o perturba e impossibilita psicologicamente? Há diversas formas, mesmo que inconclusivas, de tentar cercar esta indagação.
Para o professor da UNIFESP, Dante Marcello Gallian, que atua na área de humanização dentro do campo da saúde, há, de fato, “uma relação muito estreita entre o processo de desumanização, característico da dinâmica da Modernidade, e o crescimento de distúrbios de caráter psíquicos ou psicossomáticos”. É válido questionar, portanto, se a medicina vem desenvolvendo recentemente, como “resposta” a este fenômeno, um movimento crescente de estudos direcionados a este âmbito. “Na medida em que as doenças de caráter psíquico assumem uma dimensão cada vez mais prevalente em nosso meio, um dos campos que maior importância e crescimento no âmbito médico têm apresentado é justamente o da psiquiatria e disciplinas afins”, afirma Gallian.
Desde o início da década, Gallian tem-se dedicado a conduzir um grupo de pesquisa denominado As Patologias da Modernidade e os Remédios das Humanidades. Este grupo procura examinar as alternativas existentes de entendimento e prevenção das patologias psíquicas, para além dos tradicionais tratamentos medicamentosos. “Seria hipócrita negar os grandes avanços que o desenvolvimento de novos princípios medicamentosos trouxe para essa área, mas é preciso perceber que tais avanços restringem-se à dimensão sintomática desses processos patológicos”, argumenta o professor, acrescentando ainda o caminho preventivo que considera potencialmente efetivo: “Hoje estou plenamente convencido de que o fomento à formação humanística, ao exercício da humanização através das artes, da literatura e das práticas narrativas têm um papel poderosíssimo como elemento de prevenção.”
O dia a dia na metrópole é exaustivo, o desgaste cotidiano pode vir a interferir de maneira mais direta e impactante na vida de diversas pessoas. O ritmo frenético de idas e vindas à compromissos, o trânsito, o fluxo de informações e a pressão constante para a produtividade são elementos que podem levar ao desenvolvimento, e agravamento, de distúrbios psíquicos.
A respeito desse problema, o filósofo Peter Pál Pelbart argumenta: “Nossa sociedade está esgotada de tudo: da velocidade, da representação, da saturação de informações, dos modos de controle e de monitoramento da vida. As pessoas estão cansadas de um modo de existência que não foi escolhido por ninguém, mas imposto a todos. Assim, cada um se sente exigido, coagido e cobrado a se otimizar e se aperfeiçoar, o que é um mecanismo de extração de vida e também de monitoramento”, entende Pelbart.
O transtorno de ansiedade é marcado pelo constante sentimento de medo e angústia. Trata-se de uma tensão que surge pela antecipação de algum evento, muitas vezes visto com um olhar pessimista pela parte do ansioso, que vive em estado de apreensão. A sensação de que um perigo se aproxima pode acarretar um ataque de pânico ou uma fobia social. No primeiro tipo de crise, a pessoa pode ficar sem ar, sentir taquicardia e pode até achar que vai morrer. No segundo, uma ansiedade mais generalizada, marcada pela tensão, pode acarretar tonturas, tensão muscular e medo contínuo.
O estresse se não tratado, dentre outras coisas, podem gerar transtornos de humor como a ansiedade e / ou a depressão. E se estas, também não cuidadas, podem levar o indivíduo ao suicídio. O desgaste físico e mental do cotidiano podem levar o sujeito ao estado de estresse. Este desgaste se dá aos poucos e são acumulativos e, também, são respostas à estímulos externos do meio em que este indivíduo está inserido.
O historiador israelense Yuval Noah Harari chama atenção para um fato, na obra Homo Deus — 2015: “A despeito de nossas conquistas sem precedentes nas últimas décadas, está longe de ser óbvio que os contemporâneos estejam significativamente mais satisfeitos do que seus ancestrais. Com efeito, como um sinal nefasto, apesar de mais prosperidade, conforto e segurança, a taxa de suicídios no mundo desenvolvido é muito mais elevada do que nas sociedades tradicionais.” O autor completa, com alguns dados, sua colocação: “No Peru, na Guatemala, nas Filipinas e na Albânia — países em desenvolvimento onde grassam a pobreza e a instabilidade política -, uma pessoa em cada 100 mil comete suicídio a cada ano. Em países ricos e pacíficos, como Suíça, França, Japão e Nova Zelândia, vinte em cada 100 mil pessoas tiram a própria vida anualmente.”, encaminhando um raciocínio tradutório da complexidade com a qual deve ser analisada a presença dos distúrbios psíquicos na atualidade — e a dificuldade que cerca a tentativa de examinar suas causas.
Suícidio
“Ela — a depressão — irrompe no momento em que o sujeito de desempenho não pode mais poder. Ela é de princípio um cansaço de fazer e de poder. A lamúria do indivíduo depressivo de que nada é possível só se torna possível numa sociedade que crê que nada é impossível. Não-mais-poder-poder leva a uma autoacusação destrutiva e a uma autogressão”
— Byung-Chul Han, Sociedade do Cansaço.
“É importante ressaltar que nem todo suicídio está ligado à depressão e nem todo depressivo irá se suicidar. Esta associação é comum e também é errônea. A OMS indica que 90% dos casos de suicídio estão ligados aos transtornos mentais. Dentre esses transtornos mentais, os transtornos de humor como a depressão e bipolaridade são os que estão mais associados aos casos de suicídio. Esses dados são obtidos através de uma técnica de coleta chamada autópsia psicológica, que acontece após a morte e consiste em entrevistar familiares, amigos e profissionais de saúde sobre o estado psicológico do falecido. É importante lembrar que muitos casos de suicidas nunca passaram por uma avaliação com profissionais da saúde, o que implica que esses dados estão fortemente baseados nos relatos destes familiares e amigos. Os outros 10% dos não tem associação clara a um problema de saúde. É necessário ressaltar que o suicídio é multideterminado, ou seja, é um fenômeno que resulta de complexa rede de determinantes que podem ser sociais, psicológicos, culturais, econômicos e etc.” explica a Mestranda em Ciências da Saúde, Elis Regina Cornejo da Unifesp. Ela é pesquisadora e colaboradora do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio. A seguir a entrevista com ela para elucidar algumas questões sobre a temática.
1 Suicídio é um tema tabu ou deixou de ser? Se sim, por que ele ainda é?
R: Considerando que falar sobre suicídio é falar sobre morte e, tendo em vista a histórica relação entre o homem ocidental e o morrer, nota-se que o homem a partir do século XIX passou a se afastar cada vez mais da morte e dos processos de morrer, movimento este que pode ser visto ainda hoje. Nesse sentido, assim como a morte para nossa sociedade ainda é um tema tabu, o suicídio também o é. A morte por suicídio está permeada por tabus culturais, religiosos e sociais. Trata-se de uma forma de morrer violenta, chocante e que contraria o modo mais comum de morrer em nossa sociedade: de forma fortuita, privada, asséptica e dentro de um hospital.
2 Falar sobre suicídio em grandes meios de comunicação ajuda na prevenção ou incentiva suicídios? Qual é a melhor forma de abordar a temática nestes veículos de comunicação?
R: Falar sobre suicídio ajuda na prevenção, porém é necessário que alguns cuidados sejam tomados. Existe um grande receio por parte da mídia em noticiar suicídios, devido ao “Efeito Werther”, que é entendido como o processo de imitação do suicídio divulgado. No ano de 2000, a OMS criou um manual voltado aos profissionais da mídia, com diretrizes a respeito de como esses profissionais devem abordar o suicídio de forma responsável. As principais indicações são: não simplificar o suicídio a uma única causa; usar fontes confiáveis para se referir aos dados epidemiológicos; não romantizar ou glorificar o ato; não divulgar detalhadamente os métodos utilizados para o suicídio e fotos do falecido; trazer informações sobre os fatores de risco para o suicídio e seus sinais de alerta; e, disponibilizar uma lista de locais, instituições e serviços de saúde que prestam auxílio em momento de crise suicida.
3 Qual a sua avaliação como psicóloga sobre a série da Netflix: 13 Reasons Why? Quais foram os acertos e erros? — se houveram.
R: A série tem questões positivas e negativas. Como pontos positivos, posso destacar que ela trouxe notoriedade ao tema do suicídio e permitiu que fosse pauta de debates e discussões envolvendo a sociedade como um todo. A série aborda os conflitos e violências vividos por adolescentes e pode servir de material para discussões sobre o bullying e violências no geral, sobre como pedir ajuda nesses casos, e também pode servir de alerta para a qualidade das relações estabelecidas entre pais-filhos e escolas-alunos e mesmo aluno-aluno, sugerindo a necessidade de que estas sejam mais empáticas e que abram espaço para que estes jovens sejam ouvidos em suas necessidades.
Como pontos negativos, destaco que a série mostra a cena do suicídio de forma bem detalhada, o que não é recomendado pela OMS, devido a possibilidade de causar o ‘Efeito Werther’. A direção da série também poderia ter colocado um alerta que contém cenas de violência explícita (estupro e suicídio) desde o início e não somente nos episódios em que estas cenas são reproduzidas. Isso permitiria que pessoas fragilizadas em relação ao conteúdo soubessem dos possíveis gatilhos que a série desencadeia, escolhendo se desejam assistir.
4 Por que o jogo da Baleia Azul se popularizou tanto entre os jovens? Sabendo que há exigências de autoflagelação e até suicídio dos seus participantes — no Brasil já teve dois suicídios que acreditam ser decorrência deste jogo.
R: A adolescência é uma fase de transição entre a infância e a vida adulta, de amadurecimento. É também uma fase de explorar o mundo e nesse sentido os adolescentes podem ter sidos atraídos pela curiosidade sobre o jogo. Nessa fase também é esperado que haja a necessidade de pertencer a um grupo e o jogo pode ser uma forma de suprir essa necessidade. Uma vez que podem estar em vulnerabilidade ou sofrimento psíquico, o adolescente pode se sentir acolhido ou compreendido no grupo. Novamente cabe o alerta para a maneira como a sociedade tem tratado os adolescentes. Me recordo que na mesma época, também foi popularizado nas redes sociais o “jogo da havaiana azul”, que ridicularizava os adolescentes que supostamente teriam entrado no jogo, alegando que “era falta de apanhar ou do que fazer”. Acredito que esta sátira ao Baleia Azul mostra a banalização do sofrimento do jovem por uma sociedade adultocêntrica, onde somente os valores do mundo adulto são levados em conta.
5 As empresas como Facebook , Google, Twitter e Tumblr devem ser responsabilizadas pelas buscas feitas nas suas redes sobre formas de cometer um suicídio ou havendo detalhamento sobre o tema? Se sim, de qual forma? Sabendo que as ferramentas usadas para identificar potenciais suicidas na web é falho — pois a ferramenta só pega buscas evidentes e / ou palavras chaves; a eficiência é de 25% segundo a pesquisa da universidade Ludvig — Maximilians de Munique. Estudo realizado por eles em 2016.
R: Entendo que as redes sociais devem prezar pela segurança de seus usuários, acredito que as empresas devem focar em ações preventivas, desabilitando ou proibindo a circulação de conteúdos que incitem a automutilação ou suicídio, disponibilizando informações de onde buscar assistência. É importante lembrar que ano passado o Facebook criou em parceria com o CVV — Centro de Valorização da Vida — uma ferramenta para prevenção do suicídio. Nesta os usuários da rede que identificarem conteúdos que possam estar relacionados ao suicídio ou automutilação, conseguem denunciar a publicação e o Facebook enviará uma mensagem a pessoa que realizou a postagem, avisando que um de seus amigos está preocupado com ela, sem identificar quem fez a denúncia. Nessa mensagem o Facebook oferece algumas opções possíveis: enviar uma mensagem a um amigo, conversar com um profissional do CVV pelo telefone, chat ou e-mail ou ainda receber dicas do que fazer.
6 Segundo o Dados do Mapa da Violência do Ministério da Saúde, houve crescimento no número de suicídios entre os jovens. O aumento entre 10 e 14 anos foi de 40% e entre os 15 até os 19 anos o aumento foi de 33,5% — entre 2002 até 2012. Por qual motivo os jovens vem se matando mais do que as outras faixas etárias?
R: O suicídio ainda é maior entre os idosos, apesar de ter aumentado entre os jovens nos últimos anos.
Assim como já foi abordado, questões como a banalização de seu sofrimento, cobranças excessivas, falta de recursos internos para expressar/elaborar problemas emocionais, além da existência de algum problema de saúde mental não identificado / tratado podem ser alguns dos motivos. A impulsividade e os comportamentos de risco, que também são comuns entre os adolescentes, podem ser outros fatores.
7 O que você acha do Plano de Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio desenvolvido pela OMS em 2006 não ter saído do papel aqui no Brasil? Quais as consequências deste ato — ou não ato?
R: A Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio foi instituída em 2006 pelo Ministério da Saúde. Sem dúvida alguma foi um grande passo em consonância com os esforços da prevenção do suicídio. Contudo, a dificuldade para que essas estratégias e diretrizes saiam do papel está relacionada à negligência histórica da prevenção do suicídio como objeto de políticas públicas no Brasil. O tabu envolto ao suicídio sem dúvida alguma é um dos principais fatores que dificulta a constituição deste como um objeto de políticas públicas de saúde. Isto implica em uma série de dificuldades: a nível epidemiológico (a subnotificação do evento); uma obstrução na organização de cuidados integrais e educação da população geral a respeito do fenômeno; obstáculos na prevenção do suicídio assim como na possibilidade da oferta de uma educação permanente e capacitação aos profissionais da saúde (SUS) para atender esta demanda.
8 Como é o trabalho de prevenção e posvenção realizado pelo Vita Alere:
R: O trabalho e missão do Instituto Vita Alere é promover a prevenção e a posvenção do suicídio. No âmbito da prevenção podemos destacar ações como a divulgação, conscientização e a educação da população acerca do suicídio; a criação de núcleos de pesquisa, ensino, extensão e capacitação de profissionais da área da saúde dentro dessa temática; e a oferta de apoio e tratamento psicológico/psiquiátrico para pessoas em situação de comportamento suicida.
A posvenção engloba todo conjunto de atividades voltadas aos sobreviventes após a ocorrência de um suicídio. Para estes sobreviventes, pessoas que perderam alguém por suicídio, oferecemos apoio e tratamento psicológico/psiquiátrico, além do Grupo de Apoio aos Enlutados por Suicídio que é um grupo aberto e gratuito que acontece mensalmente. Este grupo propicia um lugar de acolhimento, pertencimento e construção de rede de conexão entre os sobreviventes, promove ajuda, conversas e trocas de experiências.
Atualmente temos 4 grupos de apoio funcionando em locais diferentes: 2 em São Paulo (nos bairros de Moema e Vila Mariana), 1 em Santos e outro no Rio de Janeiro.
“A sociedade disciplinar ainda está dominada pelo não. Sua negatividade gera loucos e delinquentes. A sociedade do desempenho, ao contrário, produz depressivos e fracassados”
(Byung-Chul Han, Sociedade do Cansaço)
As próprias buscas pela felicidade e pela realização pessoal tornaram-se “obrigações” que pressionam diariamente o cidadão contemporâneo, determinado a dividir seu tempo entre a ação de trabalho, a absorção de informação e a procura pelo prazer. Ofuscadas entre múltiplas e incessantes ambições, residem as atividades ligadas ao bem-estar, à saúde e ao descanso. “A sobrevivência no longo prazo do indivíduo é cada vez mais dispensável, com o abandono do Estado de bem-estar, assim como de qualquer forma atenuada ou controlada de capitalismo. Rejeita-se a necessidade de qualquer período de pausa ou de calma. O tempo para o descanso, a saúde ou o bem-estar é simplesmente caro demais para ser viável na atual economia global.”, entende a reportagem “Vida Sem Pausa”, veiculada no último mês de Maio — 2017 — pelo El País, indicando que há pouco — ou nenhum — tempo para elas na realidade que hoje habitamos.
“O excesso da elevação do desempenho leva a um infarto da alma.”
— Byung-Chul Han, Sociedade do Cansaço.
Cabe-nos questionar, a partir de nossas próprias rotinas e experiências de convívio, até que ponto nos valerá transformarmos em “produtiva” a maior parcela possível de nosso tempo.
