O site Campo Minado é mais importante do que aparenta.

Uma ideia. Uma simples ideia. Ela pode mudar todo um pensamento sobre o Flag Football Feminino e, possivelmente, mudar todas as modalidade do futebol americano no Brasil. Entenda o porquê.
Integração e união até na foto de capa delas.

O objetivo é bem simples: quis criar uma comunidade entre nós — atletas do flag feminino de todo o Brasil — e divulgarmos nossas histórias para nos fortalecer ainda mais e, claro, continuar a inspirar as atletas em atividade e também as futuras” disse Diana Fournier, idealizadora do Campo Minado, sobre o objetivo primeiro desta iniciativa. Este site tem o interesse no Flag Football Feminino, especificamente. A ideia, aparentemente simples, vai de encontro ao status quo da situação do esporte no Brasil. É sabido que todas as modalidades do futebol americano — Full pads, Flag football (sem contato ou semi — contato) e beach football — no nosso pais não são regulamentadas, ou seja, não tem caráter profissional. O que causa muitos problemas paras os apaixonados e para as apaixonadas por este esporte e para os e as atletas-de-fim-de-semana.

Esta ideia da criação da página nasceu de uma conversa entre as jogadoras do Underdogs Football — time de flag da capital de São Paulo — , que comentavam, informalmente, sobre como seria positivo ter um espaço onde histórias sobre as esportistas pudessem ser propaladas para todos os interessados e interessadas no assunto. A ideia nasceu desta conversa, mas não teve um ação imediata. Até que a Diana, posteriormente, decidiu ir adiante com ela e criar o site. Esta vontade por saber e ler sobre as atletas se mostra real. O bloco “Monstras do flag” que contam histórias e as bios das jogadoras mais conhecidas do esporte e sempre alcançam mais de 1.000 pessoas — até o dia 30/08/17, o que indica que este número crescerá. Por hora é o carro chefe da página, mas não se encontra apenas isso. Também há relatos, momentos históricos e informações pertinentes à modalidade.

“Hoje se você procurar por Flag Football no Google, em português, só tem uma página de Wikipedia que deixa a desejar. Nem quem joga tem acesso às informações. Se você quiser saber algum resultado tem que correr atrás de alguém. Se precisar de um vídeo de jogo, precisa correr atrás de 10.” exemplifica Grasiela “G” Gonzaga sobre a questão precária da circulação de informação no esporte.

Este detalhe sobre informação é de grande importância. Pois justamente por não ter uma entidade devidamente regulamentada e profissional os times - e isso não é exclusividade das paulistas mas sim do flag nacional e todas as modalidades do esporte - ficam a mercê de suas próprias iniciativas e/ou finanças para manter os times funcionando e participando de campeonatos. Não é que não existam órgãos gestores, eles existem, mas eles não dão a devida atenção ao flag 5x5 — modalidade mais popular do flag que contam com 5 jogadoras de cada lado do campo — mesmo ela sendo a responsável pelas campanhas progressivas no ranking nas últimas três Copas do Mundo, realizada pela IFAF a cada dois anos — International Federation of American Football. No Brasil temos a CBFA (Confederação Brasileira de Futebol Americano) como órgão máximo nacional e a APFA (Associação Paulista de Futebol Americano) que cuida da gestão dos campeonatos e regulação dos times de São Paulo. A CBFA não demonstra tanto interesse pelo flag, seu foco esta voltado ao full pads masculino. Já a APFA vem fazendo trabalhos mais significativos para esta modalidade. Um demonstrativo disso é que, a um ano atrás, eram 6 times de flag no estado de São Paulo e, atualmente, e através do incentivo desta associação, pulou para 14 times. É importante ressaltar que, mesmo com suas preferências e trabalhos que cada uma vem fazendo nos últimos anos, estas entidades não suprem toda a demanda de nenhuma modalidade, pois, assim como os times, estas instituições são grupos de pessoas que estão tentando construir algo nunca feito antes. É falho e insuficiente, é. Mas existe a vontade de fazer algo diferente para melhorar a situação do esporte. E estes trabalhos são um tema para ficar de olho.

Uma mudança deste cenário só será possível através de informação e amadurecimento do pensar e organizar o esporte. Com isso em mente Diana e “G” vem trabalhando nesta questão do educar. As vezes juntas, outras vezes em paralelo, mas sempre com este objetivo em mente. Obviamente não são apenas elas, tampouco sozinhas iam mudar tudo, mas estes necessários passos rumo ao maturamento do flag foram dados por elas. Este é o grande diferencial deste projeto, unir e informar de forma séria, com dados, e não com disse-me-disse ou achismos. Hábito antigo e que acompanha o futebol americano como um todo desde de sua vinda para o Brasil.

“Minha missão é construir o portal do Flag e ser uma referência no Brasil. Tudo que você puder e quiser saber sobre o esporte, estará lá” afirma Grasiela.
“Nós — do Campo Minado — queremos nos tornar uma referência em flag feminino. A ponto de ter importância suficiente para conseguir fechar parcerias para ajudar outros times. Mas isso não está no roadmap deste momento da nossa página, isso é um passo que alcançaremos no futuro. É quase como um norte para nós.” comenta Diana.

Os primeiros passos foram dados e os resultados foram positivos, mas não pararam por ai. Diana já conta com outras duas editoras — Bianca Brancaleone e Luiza Araujo — e muitos outros colaboradores e colaboradoras que ajudam com textos, depoimentos, fotos, ou indicando pessoas que possam ter vivências que interessem aos leitores e as leitoras. Já a nossa QB vem fazendo um mapeamento de quem pratica e onde estas meninas estão. Esta primeira etapa da pesquisa atingiu, em uma semana, 300 respostas orgânicas, ou seja, sem nenhum gasto para realiza-la. Além disso, este trabalho de dados - inédito em todas as modalidades - vem ganhando corpo e, até o fim do ano, ela prometeu disponibilizar mais informações sobre a continuação deste mapeamento para todos os interessados e interessadas no assunto.

Tudo é muito proêmio, afinal, este projeto nasceu oficialmente no dia 29 de junho deste ano — 2017 — mas isso não descredita o trabalho já realizado. Se o empenho for mantido, e tudo indica que será, o futuro será promissor para esta modalidade. Elas só ganham com isso e, com elas, todos as outras pessoas interessadas com o esporte ganham juntos com elas.