CONCEITOS TIRADOS DO LIVRO

A expressão cultura participativa contrasta com noções mais antigas sobre a passividade dos espectadores dos meios de comunicação. Em vez de falar sobre produtores e consumidores de mídia como ocupantes de papéis separados, podemos agora considerá-los como participantes interagindo de acordo com um novo conjunto de regras.

A convergência não ocorre por meio de aparelhos, por mais sofisticados que venham a ser. A convergência ocorre dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com outros. Cada um de nós constrói a própria mitologia pessoal, a partir de pedaços e fragmentos de informações extraídos do fluxo midiático e transformados em recursos através dos quais compreendemos nossa vida cotidiana.

O consumo tornou-se um processo coletivo.

A inteligência coletiva pode ser vista como uma fonte alternativa de poder midiático.

Os velhos meios de comunicação não estão sendo substituídos. Mais propriamente, suas funções e status estão sendo transformados pela introdução de novas tecnologias.

Por sua vez, a convergência dos meios de comunicação impacta o modo como consumimos esses meios.

A convergência está ocorrendo dentro dos mesmos aparelhos, dentro das mesmas franquias, dentro das mesmas empresas, dentro do cérebro do consumidor e dentro dos mesmos grupos de fãs.

A convergência também ocorre quando as pessoas assumem o controle das mídias.

Ver o anúncio ou comprar o produto já não basta; a empresa convida o público para entrar na comunidade da marca.

CRIATIVIDADE ALTERNATIVA

Criatividade alternativa é quando os fãs dão continuidade a um filme ou série, por exemplo. Os fãs reescrevem as histórias a seu modo.

Este é um fenômeno que veio a tona depois que as pessoas técnologicas de mídia surgiram. Aliás, eles são os primeiros a se adaptarem a estas tecnologias. A fascinação pelos universos ficcionais muitas vezes inspira novas formas de produção cultural, de figurinos a fanzines e, hoje, de cinema digital.

Os fãs são o segmento mais ativo do publico das mídias, aquele que se recusa a simplesmente aceitar o que recebe, insistindo do direito de se tornar um participante pleno. Nada disso é novo. O que mudou foi a visibilidade da cultura dos fãs. Nada disso é novo. O que mudou foi a visibilidade da cultura dos fãs. A web proporciona um poderoso canal de distribuição para a produção cultural amadora. Os amadores têm feito filmes caseiros há décadas; agora, esses filmes estão vindo a público.

Isto inclusive ajuda esses cineastas amadores a ingressarem na industria comercial. Alguns destes produtores amadores já chamaram atenção de Hollywood e se deram muito bem.

O FILME DIGITAL FEITO POR FÃS ESTÁ PARA O CINEMA COMO A CULTURA PUNK DO “FACA VOCÊ MESMO” ESTAVA PARA A MÚSICA. Na época, experimentações alternativas geraram novos sons, novos artistas, novas técnicas e novas relações com os consumidores, que foram cada vez mais sendo utilizadas em práticas comerciais. Hoje, os fãs cineastas estão começando a abrir caminho para a industria comercial, e ideias efervescentes dos amadores — estão começando a ser utilizadas pela mídia comercial.

O surgimento dos meios de comunicação de massa modernos decretou o fim de importantes tradições culturais. Já o momento atual das tranformacões midiáticas está afirmando o direito que as pessoas comuns têm de contribuir ativamente com sua cultura.

Na cultura da convergência, todos são participantes, embora os participantes possam ter diferentes graus de status e influência.

Hoje, a indústria midiática está cada vez mais dependente de consumidores ativos e envolvidos para divulgar marcas num mercado saturado e, em alguns casos, procurando formas de aproveitar a produção midiática dos fãs para baixar custos de produção. Ao mesmo tempo, fica aterrorizada com o que pode acontecer se esse poder do consumidor fugir ao controle. A medida que a produtividade dos fãs se torna publica, ela não pode mais ser ignorada pelas industrias midiáticas, tampouco pode ser totalmente controlada ou aproveitada por elas.