AOS CRISTÃOS

Parem de dar a Cesar o que é de Deus.

Tenho sentido certa angústia pela situação polarizada no meio cristão. Estamos acostumados com debates teológicos que apesar de muitas vezes serem infrutíferos, não causaram tamanho dano em nossas relações como o debate político de 2018. Hoje a discussão gira em torno de analisar a conversão a partir da escolha política. É comum ouvir ou ler “cristão não vota em fulano”, como se cada emissor da frase fosse o paladino da moral, justiça e da exegese bíblica a ponto de conhecer o íntimo da alma do ser humano para proferir tal afirmação.

Tenho visto com frequência julgamentos morais baseados em versículos totalmente descontextualizados. Sei que certamente quem escreveu não se importou com o triângulo hermenêutico antes de aplicar o texto Bíblico contra seus irmãos, mas muito me entristece o entendimento de alguns cristãos que se colocam em posição moral superior em relação àqueles que votam num candidato opositor.

Geralmente usam o texto Bíblico para defender um deus que é somente amor, e não justiça, mas se esquecem que a mesma Bíblia que revela o Deus amoroso e misericordioso, revela também o Deus irado e o Deus justo, e que Sua justiça não é humana, é Divina. Não levam em consideração que a mesma Bíblia que diz “não matarás” (no sentido de assassinato fútil, injustificável) diz que se o ladrão for achado roubando, e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue.

Somos todos igualmente caídos, corrompidos pelo pecado e devastados pelo mal. Incapazes de praticar o bem e muito menos de julgar o bem praticado pelo próximo. Não há como a partir de nós manifestar-se algo bom. Logo, é impossível que nossa opinião política nos coloque em posição superior à de alguém que supostamente possui motivações mundanas para votar nesse ou naquele candidato.

É certo que o cristão não usará sua cosmovisão para escolher um representante da Fé Cristã em Brasília, mas sim um candidato falho como eu e você, que possui propostas de governo menos agressivas aos valores da nossa fé.

Não vou entrar no mérito das declarações ou do passado de ambos, também não vou julgar a conduta pessoal de cada um, não é meu papel. Também não é papel do crente atribuir a um político uma esperança que deve ser somente atribuída a Obra de Jesus Cristo. Meu papel aqui é esclarecer que a Revelação do nosso Deus, a Bíblia, está sendo vilipendiada em época de eleições.

Você tem todo direito democrático de discordar de qualquer candidato, mas nenhum direito de adaptar a Palavra de Deus para reforçar seu discurso político. Parem de dar a Cesar o que é de Deus. Parem de se colocar no lugar de Deus para julgar a moralidade no voto de seus semelhantes, lhes auto imputando uma justiça mais digna.

Não somos superiores àqueles que pensam diferente de nós. Somos todos igualmente pecadores e totalmente dependentes da misericórdia de Deus sobre nossas vidas.

Salmos 50:16–23

Mas ao ímpio diz Deus: Que fazes tu em recitar os meus estatutos, e em tomar a minha aliança na tua boca?
 Visto que odeias a correção, e lanças as minhas palavras para detrás de ti.
 Quando vês o ladrão, consentes com ele, e tens a tua parte com adúlteros.
 Soltas a tua boca para o mal, e a tua língua compõe o engano.
 Assentas-te a falar contra teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe.
 Estas coisas tens feito, e eu me calei; pensavas que era tal como tu, mas eu te argüirei, e as porei por ordem diante dos teus olhos:
 Ouvi pois isto, vós que vos esqueceis de Deus; para que eu vos não faça em pedaços, sem haver quem vos livre.
 Aquele que oferece o sacrifício de louvor me glorificará; e àquele que bem ordena o seu caminho eu mostrarei a salvação de Deus.