De que lado você está?

Jair Bolsonaro vem ampliando sua notoriedade entre as parcelas da sociedade brasileira com um discurso intolerante, caricato que beira a insanidade muitas vezes. Entretanto, não podemos olvidar que muito dessa massa que o intitula como MITO, assim o faz, até sem saber, por cansaço. É, cansaço de uma politicagem fisiológica, que mais se confunde a um pleonasmo para a mentira, desonestidade e desrespeito com a coletividade.

Esse panorama de aceitação ao Deputado, muito se deve a crise institucional representativa que estamos passando. Poucos podem dizer que se sentem verdadeiramente representado por algum parlamentar. É o tipo do pensamento: “a coisa tá tão ruim, tão ruim, que acho que esse cidadão, mesmo com todo seu excesso, possa, ou fazer algo, ou incomodar esses políticos corruptos”.

Escolhas precipitadas em período de crise, poucas vezes foram as melhores. Quando foi que algum de nós ao se deparar com uma situação extrema, em resposta imediata, acertamos?

É interessante perceber a ironia e incoerência daqueles que se valem de direitos assegurados pela Constituição Federal para tentar violar outros que esta mesma Carta garante.

Não podemos confundir liberdade de expressão com o direito de falar qualquer coisa, sem sofrer as consequências daquilo que se disse. Ao enaltecer a pessoa de um notório torturador, o Deputado nega toda a sustentação lógica, principiológica e constitucional que permitiu seu ingresso à Câmara dos Deputados.

De outro modo, não podemos dicotomizar tudo e se perder no vazio dessa tendência. Nos posicionar em favor do Deputado que cospe no outro por alegadas divergências e insultos dispensados a sua pessoa, para termos a sensação de estarmos do lado menos aviltante, é de uma ilogicidade sem tamanho.

Respeito não se exige desrespeitando. Ao se justificar, o Deputando Jean Willys, se defende dizendo ser humano, mas essa de longe, não é defesa capaz de afastar a reprovabilidade de sua conduta, se assim fosse, todo excesso seria aceito. Ao cuspir,demonstrou total contra senso, vez que considerou como adequada tal resposta aos insultos.

O que observo é o flagrante despreparo de nossos Parlamentares, que se insultam, que cospem, que não articulam pensamentos ao nível que o mandato exige. Que dividem a opinião pública que paulatinamente é atacada quando insistem em se posicionar ao lado de um ou outro, cegando para o fato de que um excesso não justifica o outro, e, que algumas vezes, reconhecer o erro de todos os lados é a decisão mais coerente.