10 coisas que eu acho que eu acho — Chicago Bears

Henrique Bulio
Jul 24, 2017 · 5 min read

O sentimento de “o que diabos eles estão fazendo?” se dissipou durante a noite de quinta-feira, 27 de abril. O Chicago Bears adquiria a segunda escolha geral do Draft numa troca com o San Francisco 49ers e escolhia o quarterback Mitchell Trubisky, considerado por muitos o melhor quarterback da classe.

Não é incomum as equipes subirem no Draft buscando algum jogador e/ou posição específico. É incomum, sim, dar picks de terceira (2017, 2018) e quarta rodada (2017) para subir apenas uma posição na ordem de escolhas — por um jogador que quase certamente estaria livre para ser draftado quando chegássemos a terceira escolha.

Veja também: 10 coisas que eu acho que eu acho: San Francisco 49ers

  1. Eu acho que eu não entendo muito bem o que Ryan Pace fez durante o Draft. Eu não sou general manager. Eu nem mesmo torço para o Chicago Bears. A minha visão é pura e simplesmente como um fã da liga, e ela não consegue entender muito bem a lógica da classe. Depois de Trubisky, o Bears arriscou em Adam Shaheen com a escolha de segunda rodada — e, apesar do upside do jogador, Chicago podia ter apostado em sanar alguma need. Na quarta rodada, Chicago reforçou a posição de safety com Eddie Jackson que, apesar de talentoso, sofreu com múltiplas lesões enquanto em Alabama e por isso isso caiu tanto. A franquia ainda draftou outro jogador provindo da Division II na quinta rodada, selecionando o OL Jordan Morgan, de Kutztown. É justo dizer que foi um Draft bastante arriscado.
  2. Eu acho que eu não entendo muito bem o que Ryan Pace fez durante a offseason como um todo. Se trocar tantos assets por apenas uma escolha foi estranho, escolher Trubisky depois de pagar caro por Mike Glennon na free agency foi ainda mais bizarro. Glennon é presumivelmente o titular para a temporada de 2017, mas seu futuro em Illinois já não é certo.
  3. Eu acho que o Bears se reforçou com diversos jogadores medíocres. Marcus Wheaton e Quintin Demps possuem lá suas qualidades, contudo não são jogadores impressionantes. Prince Amukamara, Dion Sims, Tom Compton, Kendall Wright, Marcus Cooper, John Jenkins, Benny Cunningham… todos assinaram contrato com o time durante a offseason e todos são medianos, no máximo. De toda forma, tais contratações representam um upgrade no péssimo elenco da temporada anterior.
  4. Eu acho que Kevin White precisa sair do departamento médico e jogar futebol americano. Desde que fora draftado com a sétima escolha geral em 2015, as expectativas foram altíssimas sobre o ex-aluno de West Virginia. Dois anos e muitas lesões depois, White esteve em campo durante quatro de 32 jogos possíveis. Com a saída de Alshon Jeffery, é muito importante que o recebedor consiga se manter saudável e justifique seu status de estrela pré-Draft a fim de ajudar Mike Glennon.
  5. Eu acho que a defesa do Bears precisa sair do departamento médico e jogar futebol americano. Muito do péssimo desempenho defensivo dos ursos em 2016 proveio do fato que diversos jogadores perderam jogos por lesões — principalmente os linebackers. A escolha de primeira rodada Leonard Floyd impressionou quando em campo; entretanto, o ex-Bulldog perdeu quatro jogos por conta de uma concussão e não esteve 100% em outros; estrela defensiva da franquia, o também linebacker Pernell McPhee perdeu os seis primeiros jogos do ano e também precisou de tempo até voltar a jogar em seu nível habitual. O ano já começou com notícias ruins na posição, já que Danny Trevathan teve grave lesão durante a temporada passada e espera-se que ele não esteja pronto para o início dos Training Camps.
  6. Eu acho que o grupo de running backs do Bears vai bem, obrigado. Chicago encontrou ouro draftando Jordan Howard na quinta rodada do Draft de 2016 e espera-se que ele consiga manter o altíssimo nível de sua temporada de calouro, naquele que foi um dos poucos pontos positivos do ano passado. Além disso, o recém-draftado Tarik Cohen é um bom complemento ao estilo de Howard e Jeremy Langford é um backup útil que também pode contribuir com o jogo aéreo.

7. Eu acho que Chicago precisa urgentemente melhorar seu turnover ratio. Em 2016, o Bears foi o time que menos roubou a bola dos adversários (apenas 11 vezes), o terceiro time que mais entregou a bola aos adversários (31 vezes) e, por fim, o time com o pior turnover ratio da liga (-20, empatado com o New York Jets). Não a toa, o Jets também esteve entre os piores times da liga em 2016. Se o Bears aspira um ano melhor, melhorar esses números é um fator essencial.

8. Eu acho que eu não consigo ser positivo com o 2016 do Chicago Bears. O roster é abaixo da média, a equipe joga numa divisão com três equipes certamente superiores (Packers, Vikings, Lions) e defrontará durante a temporada as boas equipes da NFC South e da AFC North. Com exceção de uma temporada surpreendente de Glennon, um breakout year de Kevin White e excelentes temporadas de suas estrelas (Howard, Floyd, McPhee e o guard Kyle Long), eu imagino o Bears mais uma vez entre as piores equipes da liga durante o ano, o que me leva ao próximo número.

9. Eu acho que John Fox e Ryan Pace não sobreviverão ao ano que segue. O record acumulado das duas primeiras temporadas de Fox e Pace na franquia é de 9–23. O grande investimento da era Pace reside em Mitchell Trubisky, no entanto, mais um ano ruim certamente resultará em nova mudança no front office promovida pela família McCaskey. É possível que o general manager nem ao menos esteja empregado para colher os frutos de seus arriscados investimentos no Draft passado.

10. Eu acho que o Bears terá novamente uma pick alta no Draft. Ainda que tenha perdido Alshon Jeffery para a free agency, é justo considerar o time da temporada atual superior ao elenco de 2016. O que não ajuda de forma alguma é a forte divisão na qual os ursos jogam e os fortes oponentes fora da divisão. Deve ser um ano de muita dor de cabeça para o torcedor de Chicago.

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Henrique Bulio

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Numa eterna cruzada contra o feijão por cima do arroz.

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